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P3rsonalidade do ano 2017

Porque passámos o ano de 2017 a conhecer pessoas que vale a pena conhecer, decidimos recuperar dez histórias e pedir a tua ajuda para escolher a P3rsonalidade de 2017. Vota aqui

Texto de P3 • 19/12/2017 - 14:23

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Não há texto em jeito de balanço de um ano findo que não inclua, pelo menos, uma frase feita. Decidimos escrever duas logo nas primeiras linhas, para não perder mais tempo (ou espaço): 2017 passou a correr e o difícil foi escolher as dez pessoas cujo percurso mais nos marcou durante este ano. Prémios nacionais e internacionais, projectos no YouTube com audiências aos milhares, livros que são denúncias e percursos inspiradores. Foi um ano recheado. Para nos ajudares a escolher, basta votar até 2 de Janeiro de 2018 (os votos nos comentários não são quantificados).

 

Está na hora de rever o top 10:

 

Começámos o ano a conhecer a casa de Cristiana Felgueiras: um apartamento, um estúdio e uma oficina onde não falta madeira. Barrotes, placas, aparas. E maquinaria pesada. A jovem natural de Vila Real é a responsável pelo projecto Get Hands Dirty, onde partilha todo o processo de construção de objectos ou peças de mobiliário, passo a passo. Quando a conhecemos, Cristiana tinha acabado de ultrapassar os 100.000 seguidores. Hoje, menos de um ano depois, esse número mais do que duplicou. Já são mais de 260.000 as pessoas que não querem perder os vídeos que produz, filma, edita e divulga. Vamos arregaçar as mangas e sujar as mãos?

 

“Tudo vai melhorar” é a mensagem que Diogo Vieira da Silva se esforça por fazer passar, todos os dias. Activista pelos direitos LGBTI (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgéneros e Intersexuais) há mais de uma década, Diogo arrancou 2017 com uma nomeação. O portuense assumiu a coordenação europeia do It Gets Better, um projecto dirigido aos jovens que combate a discriminação e o bullying homofóbico através de depoimentos em vídeo. Mais recentemente, Diogo Vieira da Silva fundou a associação Variações, uma associação de comércio e turismo LGBTI com lançamento marcado para o início de 2018.

 

Em Março, poucos dias antes do Dia Internacional da Mulher, a Time destacou as 34 vozes femininas mais relevantes do fotojornalismo mundial. Entre elas, uma portuguesa: Violeta Santos Moura. A fotojornalista nascida em Vila Real já somou várias moradas: Polónia, Marrocos, Espanha, Israel. “Há poucas mulheres nesta profissão porque existe, efectivamente, uma desvantagem em ser mulher no cumprimento desta função”, comentou, em entrevista ao P3, em Março último. O meio do fotojornalismo é assimétrico: 85% dos profissionais são homens, sublinhou Kira Pollack, a editora de fotografia da revista norte-americana.

 

Damos um salto até ao pico do Verão, em Agosto, e a razão é um prémio de arquitectura e reabilitação: Joana Leandro Vasconcelos venceu o Prémio João de Almeida na categoria de reabilitação de espaço habitacional. A Casa da Boavista, que Joana e o marido Tiago Ilharco compraram, data de 1915 e tem os traços típicos da habitação burguesa do Porto de finais do século XIX e inícios do século XX, com um charme fotogénico. No atelier in.Vitro, fundado após o regresso da arquitecta de Madrid, reabilitar parece ser a palavra de ordem. Prémios somados não faltam.

 

Mais um canal de YouTube, mais uma história inspiradora. Aos 26 anos, Catarina Oliveira foi parar a uma cadeira de rodas — mas isso não a travou. “C Feliz” é a mensagem e o nome do projecto que tem em mãos. O objectivo? Mostrar que estar numa cadeira de rodas não é impedimento para a felicidade. Já são quase 1000 os subscritores (em Agosto eram perto de 300) interessados no que Catarina tem para dizer. Sempre que pode, envolve-se na discussão cívica e tenta quebrar barreiras. Físicas e não só. “Há muita gente que olha para mim e só consegue ver a cadeira, e eu quero que as pessoas percebam que sou mais do que isso”, sublinha. “Todos nós temos problemas, só que o meu é visível.”

 

Há 12 anos, Manuel Silva sentiu necessidade de encontrar uma terapia. Queria “mudar de ambiente” e meter as mãos na terra e a jardinagem surgiu como uma solução. O primeiro espaço? O Maus Hábitos, no Porto, onde não faltam plantas suspensas, as kokedamas que Manuel tanto gosta. O “fiel jardineiro” dos Maus Hábitos abriu, no fim do Verão, um quiosque dedicado à técnica japonesa milenar, derivada da prática bonsai, cuja aplicação torna desnecessária a utilização de vasos, apenas um revestimento de musgo. E há mais locais da cidade onde podemos ver o trabalho de Manuel. Basta olhar para cima.

 

Desempregado, Francisco Ferreira Fernandes mergulhou de cabeça nos anúncios de emprego. E em pouco tempo já estava a “identificar padrões” de comportamento dos empregadores. Tudo era possível, desde anúncios de estágios não legislados e falsos recibos verdes, passando pela oferta de salários inferiores ao mínimo definido por lei. Desta experiência nasceu o Ganhem Vergonha e desta plataforma de denúncia nasceu um livro, ajudado por uma campanha de crowdfunding. Trabalho Igual, Salário Diferente já está disponível para encomenda e é apresentado pela primeira vez a 6 de Janeiro na Livraria Gato Vadio (17h30), no Porto. “Tornou-se banal dizer que é melhor ter um emprego do que não ter nenhum”, desabafa Francisco.

 

Conhecido por uns como co-criador de Bruno Aleixo e realizador de Xico, de Luísa Sobral, João Pombeiro assina o genérico da nova série de Nuno Markl, 1986. O artista plástico move-se de recorte em recorte, fragmento em fragmento, para criar videoclipes — e são vários os exemplos já lançados ao mundo. Nascido em Leiria, João já colaborou com João Hasselberg, Nadia Schilling, Cave Story e Nightmares on Wax. É uma mente criativa, difícil de descrever: ilustrador, produtor, realizador, guionista, designer gráfico e até webdesigner (quando é preciso). O melhor é mesmo ver a lista de colaborações.

 

O trabalho dele parece fazer parte de um guião de ficção científica, mas a boa notícia é que é mesmo realidade. Miguel Castilho desenvolve substitutos de tecidos vivos em laboratório, a partir da Holanda, onde vive, que é outra forma de dizer que o engenheiro mecânico cria implantes com componentes biológicos. Para quê? Para regenerar tecidos. Ossos, ligamentos, tendões e cartilagem: potencialmente, tudo o que faça parte do sistema músculo-esquelético pode vir a ser mimetizado em laboratório. O trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos valeu-lhe um prémio internacional em Medicina Regenerativa e Biofabricação, atribuído pelo instituto norte-americano Wake Forest.

 

A lista termina, cronologicamente, com o perfil de Maria Pinto Teixeira. Advogada, activista e presidente de uma associação de protecção de animais, Maria luta “pelo tratamento digno” dos mesmos. Contar a história desta portuense é, também, contar a história da Animais de Rua e da luta travada pela esterilização dos animais errantes. Só em Portugal, estima-se que existam um milhão de animais a reproduzir-se continuamente na via pública. Graças ao trabalho da Animais de Rua, mais de 21.000 gatos e cães já foram esterilizados em Portugal. Mas ainda falta fazer muito, alerta. São necessárias abordagens “mais racionais, profissionais e, sobretudo, mais integradas na sociedade”.

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