Procura-se casa “de boa saúde” para viver no Porto

autoria Renata Monteiro

// data 25/09/2017 - 10:34

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Anda “toda a gente à procura do mesmo”: uma “casa viva” que se deixe habitar, no Porto. Aliás, risquem isso. Serve uma casa que aparente, “pelo menos, ter boa saúde” e seja perto do centro. Sara Nunes, directora do Building Pictures — uma agência de vídeos para projectos de arquitectura —, está desde Janeiro de 2017 à procura de um T0 ou de um T1 para arrendar na cidade. Pelo meio, conta ao P3, fez longas pausas para recuperar a energia e atacar o mercado quando ele tivesse a guarda em baixo, que é como Sara diz: “quando não há estudantes” e já passou a época mais turística . Mas a “busca nas agências imobiliárias corre mal”, os anúncios online “são uma perda de tempo”, os grupos do Facebook vão de mal a pior e a competição é tão feroz que Sara está decidida a mudar de método. Por exemplo, começou a considerar “visitar as zonas onde gostaria de morar” e deixar na caixa de correio dos “possíveis vizinhos” alguns bilhetinhos. “Estou interessada em morar nesta rua. Aluga ou conhece quem alugue?”, sugere.

 

Enquanto ajusta o método de caça, as casas fogem “como criminosas”, tanto que “era preciso ser um cowboy ou o agente 007 para conseguir encontrar uma com área, preço, localização e arquitectura certas”. É desta cena digna de um western que surgiu a ideia para um vídeo. Afinal, é daí que vem o título “Procura-se casa, viva ou morta”. “Já se falou muito desta questão e eu queria abordar o tema de uma maneira diferente”, explica a realizadora. “Para dar ênfase ao ridículo que se tornou”, continua, quase lhe “apeteceu pôr uma casa a sentir as mesmas dificuldades”. E arranjou uma que sentia. As janelas do pavilhão Carlos Ramos da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto transformaram-se nos olhos e na boca de Carlos, que se contraem enquanto o edifício, desenhado pelo arquitecto Siza Vieira (e que já por si tem “uma fachada bastante humana”), divaga por um monólogo de três minutos, cheio de questões existenciais. “Será que uma casa pode ser chamada de casa se as pessoas vivem nela apenas dois ou três dias?” Ou, então: “Será que terei de me transformar num turista para viver na minha própria cidade?” (esta quarta-feira celebra-se o Dia Mundial do Turismo). Mas há mais: “E quantas casas, que posso chamar de casas, existirão no Porto? Umas 100? Hum… 10? 5?” A animação surgiu de um desafio lançado pelos organizadores da exposição Ideias em Confronto 20x20, que queriam saber “o que está de errado na (tua) casa?”. Foi a essa pergunta que Sara tentou responder, de “forma divertida”. “Ah, uma casa! Vou a correr a ver se a apanho, falamos depois.” É o Carlos que o diz, em jeito de despedida. Mas, já agora, se souberem de uma casa, falem primeiro com a Sara.

Eu acho que