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Crónica

O desespero de Sinéad O'Connor e a desumanização da sociedade

Muitos perguntam "Quanto ganhas?", poucos perguntam "Em que posso ajudar?"; muitos querem saber "Em que trabalhas?", poucos se preocupam: "És feliz?"

Texto de António Lúcio Soares • 09/08/2017 - 11:58

António Soares
António Lúcio Soares escreve com aparo de osso, a pingas de suor, o que lhe cisma no coração.

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Sinéad O'Connor publicou um vídeo onde diz que está completamente sozinha e abandonada, com doença mental, apenas ajudada pelo seu psiquiatra. "Não quero morrer" é uma das expressões que utiliza.

 

Esta desumanização é consequência da sociedade de consumo na qual todos somos todos pequenos capitalistas Consumimos e esquecemos quase com a mesma facilidade um produto e uma emoção.

 

Todos sabemos de um pai abandonado ou uma mãe violentada, um filho rejeitado, um animal espancado. Torna-se ainda mais fácil quando o outro é desconhecido ou um número na engrenagem de uma qualquer indústria. Muitos perguntam "Quanto ganhas?", poucos perguntam "Em que posso ajudar?"; muitos querem saber "Em que trabalhas?", poucos se preocupam: "És feliz?". E afastam-se se não te sentem a utilidade, se não lhes transpira ao faro algum proveito, se lhes fricciona na nuca a maçada que trazes.

 

O primeiro pecado mortal deveria ser a ingratidão. Humanizar o capitalismo sempre foi utopia; sentir a necessidade humanizar a humanidade é tomar consciência de que talvez nada haja a fazer.

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