Zumapoop

Voluntariado

Zumapoop: Portugueses constroem “dry toilets” no México

O projecto, que pretende construir condições básicas de higiene no México, tem sotaque português

Texto de Pedro Esteves • 26/07/2017 - 11:15

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O projecto chama-se Zumapoop. O nome junta o local e o propósito da iniciativa, que liga quatro portugueses. “Zuma”, retirado do nome Moctezuma, uma região no México, mais “poop” — a tradução mais adequada é mesmo "cocó". Mas se já sabemos o “onde” e um pouco do “o quê”, ainda há muito por desvendar acerca do projeto.

 

Antes disso, é preciso lembrar que o acesso às condições mais básicas de higiene não é universal – integra um dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. A arquitecta Joana Torres sabe-o e por isso anda por esta altura com um plano para dar essas condições a crianças de uma zona rural mexicana, a localidade de Moctezuma, na região de Oaxaca. Joana é uma cidadã do mundo que, depois de andar um pouco por todo o lado, se fixou nos Estados Unidos. Está lá há nove anos.

 

Aos trabalhos de arquitectura juntou o da Oficina, um projecto mais próximo daquilo que Joana gosta de explorar e que descreve como “o carácter mais social da arquitectura”. De há dois anos para cá, fez uma pausa na arquitectura convencional para se dedicar ao que construiu pelas suas próprias mãos. Por esta altura já acumula, segundo o website, 14 projectos. Um deles é o Zumapoop. Há iniciativas na América do Sul, nos Estados Unidos e até pela Europa. Só no México são cinco.

 

O Zumapoop surgiu a partir de uma colaboração com o arquitecto mexicano Octavio López". Joana estava a trabalhar num outro projecto da Oficina e a fundadora desse projecto pediu-lhe para desenvolver o Zumapoop.

 

Mas, afinal, que projecto é este? O Zumapoop assume dois objectivos à partida. O primeiro passa por um programa educacional, com base em workshops no local, para sensibilizar a comunidade acerca da importância da higiene que, segundo Joana Torres, “já está a decorrer neste momento” no terreno.

 

O segundo passa pela construção de "dry toilets", casas de banho direccionadas para crianças que não precisam de água para funcionar. Os dejectos são decompostos e o que resta é distribuído pela comunidade ou usado na quinta orgânica da La Casita – a organização local que funciona como uma segunda casa para as crianças de Moctezuma.

 

O protótipo da construção revela que o telhado que esconde a casa de banho, recolhe água da chuva que, posteriormente, pode ser usada para lavar as mãos. A arquitecta aponta a data de início da construção no terreno para o mês de Setembro. A La Casita apoia cerca de 30 crianças daquela região. Em alguns meses, as famílias que procuram ajuda pode duplicar.

 

A filantropia portuguesa aterra no México

Segundo Joana, este tipo de plataformas não são novidade. “A ideia foi da organizadora do projecto. Não é uma ideia totalmente nova naquela região, onde não existem as infraestruturas mais básicas.”

 

Neste momento, Joana está nos Estados Unidos. Tem gente em quem confia a trabalhar directamente com a comunidade na zona rural do México. No Zumapoop, para além do apoio local que tem recebido, há ajuda que tem o mesmo sotaque. Bráulio Amado, João Almeida e Ricardo Avelino, juntaram-se a Joana e trabalham para levar o projecto a bom porto.

 

“O Bráulio mora em Nova Iorque, sou amiga dele e um dia, durante um almoço, falamos sobre esta iniciativa da Zumapoop e ele entusiasmou-se logo com a ideia. A partir daí construiu o site e desenhou as t-shirts”, conta.

 

O site contou com a ajuda de João Almeida. Já as t-shirts que Bráulio desenhou, com o pretexto de financiar o projecto, foram impressas por Ricardo Avelino.

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