Patrícia Martins

Crónica

Quantos metros cabem no metro?

O Metro de Lisboa é uma valente ineficiência, um espelho nítido dos governantes. E agora venham os "haters" dizer que esta é uma realidade mundial. Sabem o que é que eu vos digo? Quero lá saber! Moro numa cidade em que não é comparável o número de habitantes com o de uma grande cidade europeia ou mundial

Texto de Bernardo Mascarenhas de Lemos • 12/07/2017 - 15:48

Bernardo é formado em Comunicação Social e Cultural, pós-graduado em produção musical. Gosta de escrever, observar e reflectir

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Entre problemas de sinalização, suicídios e linhas interrompidas, caramba! Não há maneira do metro funcionar como deve ser uma semana inteira. 

 

E mesmo funcionando é um enorme suplício. Quem apanha o metro logo pela manhã sabe do que falo. Não há direito. A pessoa acorda cedo para ir trabalhar e perde a boa disposição mal mete o pé na carruagem, quando lá mete o pé. Porque muitas vezes tem de esperar pelo próximo.

 

Sou da opinião de que as empresas deveriam, não só dar o subsídio de refeição, mas também o "subsídio de suplício metropolitano" a todos os que apanham este transporte para o trabalho. E agora venham para aí dizer que nas grandes metrópoles do mundo é bem pior. Digam, digam. Lisboa é uma Grande cidade mas a sua dimensão está longe de poder ser comparada a das grande cidades e, por isso, não aceito tal argumento. Podem vir dar os exemplos dos metros internacionais e do quão difícil é controlar o fluxo de pessoas que entram e saem. Mas eu estou-me nas tintas! Eu quero é saber do meu metro e do meu transporte que é o que me leva todos os dias para o trabalho. Isso lá em Hong Kong ou Istambul, para mim, não é assunto. O metro funciona, mas podia funcionar muito, mas muito melhor. Mas para que tal acontecesse era preciso que houvesse responsáveis a sentir na pele aquela fragrância humana matinal. Desafiamos o Costa, o Medina e as powerpuff girls do Bloco a vir passear no metro? Linha amarela entre as 8h e as 9h? Bora aí!

 

E como se não bastasse a mediocridade do serviço, a grande maioria dos utentes são verdadeiros animais. Nunca vi gente tão incivilizada como no metro. É uma autêntica selvajaria. As pessoas não têm o mínimo de respeito nem a mínima noção. E começo até por falar nos velhos. Ríspidos, estão-se nas tintas para todos. Querem ser os primeiros a sair e os primeiros a entrar. E se estiveres para sair não vão facilitar. Não, não, não. Primeiro entram eles só depois é que tu sais, se ainda conseguires. E, já sabes, arriscas-te sempre a levar um valente empurrão. Ponham uma velha sedenta a trabalhar à porta do Urban Beach, garanto que ela não vai desiludir. 

  

Mas nem só de velhos se faz este magnífico transporte subterrâneo. Eu respeito muito os intelectuais que lêem no metro. Porque, ao contrário dos zombies que olham para o telefone o tempo inteiro, estes sempre trabalham a mente. Mas também precisam de uma noção básica de civismo. Se o metro está cheio, tipo lata de sardinha, não é muito conveniente abrir o livrinho . Aliás, nem dá gozo, não só pelo pouco tempo, como pelo incómodo de fazer um esforço dos diabos para segurar no objecto. E se já bastava a cola do braço do meu próximo, ter o livro encostado à cabeça torna o pesadelo ainda maior. Por isso, intelectualóides que lêem o seu livrinho logo pela manhã, talvez esteja na hora de repensar esse hábito por respeito aos outros. 

 

E, pessoas que andam de metro, sabem que há um pequeno corredor entre os lugares de quatro? Se vão sair nas últimas, atirem-se para o meio, não fiquem a fazer funana na porta. Isso é uma ratice. Já para não falar que é precisamente isso que leva muita gente a ficar na estação de origem. É assim tão difícil de perceber? E para os idiotas que, não só não facilitam a entrada no metro, como se enfiam para dentro sem deixar sair primeiro, era distribuir-vos uns quantos tabefes. 

 

E esta é para vocês bloquistas, verdocas e chucias: se calhar daqui para a frente, em vez de estarem preocupados com a formação sexual dos nossos jovens, deviam preocupar-se em dar-lhes educação cívica. Começando exactamente por explicar os do's and dont's do transporte público. Porque sim, esses miúdos reguilas que volta e meia ocupam as carruagens aos bandos numa tentativa de intimidação não sabem o que é o respeito cívico. E, por isso, em vez de lhes ensinarem na escola o que é uma camisinha, expliquem-lhes antes que eu não tenho que levar com o Jamie DingDing I shot a policeman and I'm Proud aos altos berros no transporte público ou seja onde for. Deviam explicar-lhes que, como os pais deles que, de certo se deslocam de metro, as pessoas que andam neste transporte, sobretudo de noite, a meio da semana, vêm do trabalho, estão cansadas e tudo o que querem é fazer uma viagem sossegadamente para casa sem terem que ser incomodados por estes bandos de perversos que ocupam as carruagens e fazem delas um concerto underground, estando-se a marimbar para quem está na carruagem. Tal acto pode ser justificativo face à falta de segurança do metro. Com tantos funcionários a almoçar as quatro da tarde é dificílimo manter alguma ordem.

 

O metro funciona mal e por isso nunca é de mais escrever sobre a matéria. Pergunto-me se não é tempo de perceber se faz sentido ter mais metropolitanos nas horas de grande fluxo. Quantas vezes não vejo centenas de pessoas barradas à porta do metro? Pessoas que têm compromissos, têm reuniões, têm de estar no trabalho às horas X. Mas não conseguem, porquê? Porque o serviço público de transporte é uma valente ineficiência, um espelho nítido dos governantes. E agora venham os haters dizer que esta é uma realidade mundial. Sabem o que é que eu vos digo? Quero lá saber! Moro numa cidade em que não é comparável o número de habitantes com o de uma grande cidade europeia ou mundial. E, por isso posso exigir, pelo menos, uma reflexão ou uma tentativa de melhorar o transporte público. 

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