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Crónica

Um beijo na boca

"Meus senhores, eu não tenho nada contra homossexuais, mas no recinto da escola não, tudo no seu devido lugar senão um dia destes até sexo fazem à frente de toda a gente!"

Texto de João André Costa • 28/05/2017 - 14:47

João André criou o blogue Dar aulas em Inglaterra

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“O que me chateou não foi o facto de duas raparigas terem dado um beijo na boca no meio da Secundária de Vagos, mas antes o modo como essas alunas fizeram de propósito para nos chocar, pois até eu já vi miúdas lésbicas num parque e de cada vez que passava um homem era vê-las aos apalpões uma à outra à frente de tantas crianças.

 

Porque quando nem eu faço daquelas figuras com a minha mulher em espaços públicos, o problema não é a orientação sexual mas a falta de respeito, e depois é ouvi-las, e ouvi-los, a queixarem-se de preconceito e discriminação. Minhas amigas e meus amigos, com atitudes destas só estão a arranjar lenha para se queimarem.

 

E, portanto, não se queixem, porque do 'hobby' gay já estamos todos fartos, e se querem tanto os vossos direitos, por favor deixem de se exibir, pavonear, ostentar e afirmar, eu já estou careca de saber que vocês são gays e até tenho amigos gays que não o podem ser por causa de manifestações como as vossas.

 

Meus senhores, eu não tenho nada contra homossexuais, mas no recinto da escola não, tudo no seu devido lugar senão um dia destes até sexo fazem à frente de toda a gente! Para comportamentos privados, menos ou mais esquisitos, vão para a vossa casa, para uma boate nocturna [já ouviram falar de boates diurnas?] ou então vão para a sede do Bloco de Esquerda, porque uma coisa é liberdade, outra é libertinagem, e um dia destes é vê-los a fazer comboiozinhos dentro da sala de aula, para já não falar de fumar umas ganzas no recreio! Poupem-me!

 

A escola é um espaço para se estudar, não é para andar na beijaria, e isto aplica-se tanto a casais como pessoas do mesmo sexo e se eu tivesse uma filha em manifestações deste género dava-lhe dois tabefes na tromba e uma daquelas tareias para a vida, o director da escola esteve muito bem e ninguém deve ser obrigado a ver esta nojice senão um dia destes é só lésbicas e gays, eu até respeito a sexualidade de cada ser humano, mas por favor...

 

Meus amigos, estou cansado, estou cansado desta moda de se ser gay, de não se poder dizer mal dos gays, estou cansado do politicamente incorrecto, dos processos em tribunal por tudo e por nada contra quem tem todo o direito de andar na rua sem ter de ver homens de mão dada ao fio dental à direita e à esquerda, pela frente, por trás e por todo o lado, e a homossexualidade até pode não ser uma doença, e às vezes não tenho bem a certeza, agora a bichice... 

 

Mas não, até porque o que a comunada fascista gosta é destes dramas de drogas homossexuais e tudo, no tempo do Vasco Gonçalves foi a mesma coisa e eu mal posso esperar por novas eleições e acabar de vez com estes loucos que se 'instalarão' no governo sem consentimento do povo.

 

No fim só tenho pena das duas moças aos beijos na escola, a comerem pão com pão quando ele é tão bom com chouriço!“

 

Já estão enjoados? Eu também fiquei depois de ler, e adaptar à escrita (com respeito por alguns erros hilariantes), e conspurcar a escrita no papel de tanta ignorância, fruto do preconceito, do medo, no fundo do medo, o medo do desconhecido, do proibido e não aceite e, no entanto, sempre presente, vivente, parte essencial da Humanidade, da diversidade, da tolerância, do afecto, do amor pelo próximo, do amor, no fundo do amor, o amor com o qual nascemos, nunca aprendido, inato e, ao mesmo tempo, combatido, odiado, dizimado, destruído em guerras fratricidas, suicidas numa rota de sentido único e autodestruição.

 

A AMPLOS, a Associação de Mães e Pais pela Liberdade de Orientação Sexual e Identidade de Género, lançou uma campanha o ano passado onde, entre outras mensagens e imagens, surgem duas mulheres em demonstrações de afecto, em demonstrações de amor.  As imagens não revelam o grau de parentesco, apenas mostram duas mulheres a trocarem carinhos, beijos e abraços.

 

Uma nojice, pois claro.

 

As duas mulheres são Susana e Marta, mãe e filha. Não são modelos, nem actrizes, são pessoas reais. Susana, a mãe, é heterossexual, Marta, a filha, é homossexual.

 

A explicação chega através do voz off: "O amor entre mãe e filha não depende da orientação sexual ou identidade de género. É incondicional."

 

Tendo em conta todos os comentários supracitados, do ano passado para cá Portugal não aprendeu nada. Continuem.

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