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Crónica

O fast-food dos atentados

Tornar-se-ão os atentados algo tão indiferente como é a abertura de um novo restaurante?

Texto de Luis Sousa • 23/05/2017 - 11:47

Luís Sousa é licenciado em Comunicação Audiovisual e pertença a uma geração que tanto tem de crítica como de criativa

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Actualmente, vivemos num mundo que muito se assemelha a uma cadeia de fast-food. Podemos escolher um pais, como quem retira uma batata frita de um clássico pacote de papelão. França, Turquia, Bélgica, ou mesmo Afeganistão, Nigéria e, mais recentemente Inglaterra, são só alguns territórios martirizados por atentados terroristas. Os pormenores diferem no modus operandi e no consequente número de vítimas – tal qual os extras que poderemos solicitar para incluir no nosso menú.

 

Concordo que esta seja uma metáfora infeliz; poderá ainda colocar uma tónica leviana em todas estas catástrofes. Porém, e se – como premissa – não lhes chamarmos “catástrofes”? Podemos deixar esse termo para questões ambientais, por exemplo.

 

Os atentados não são ocasionais, não acontecem por puro acaso. Explosões, ataques, atropelamentos, o que quer que seja, são causados por criminosos. Os criminosos, como o nome indica, cometem crimes. Os atentados são, então, crimes – tal como numa receita – não há muito por onde errar.

 

Novamente, remetendo para questões culinárias, é de conhecimento geral que o fast-food é prejudicial à saúde de qualquer consumidor. É legítimo, então, questionar o porquê da sua existência. Será que a sociedade é a solução?

 

Por outro lado, é vital compreender o porquê de um atentado terrorista. Serão os grupos marginais os culpados? Ou ainda, poderemos sugerir – como resposta mais votada - a religião? Será esta a verdadeira resposta para todos os problemas?

 

Com teimosia confessa, conseguimos encontrar uma relação entre estas duas realidades. Será o governo, a politica mundial, a razão/ingrediente de toda esta trama?

 

Num exercício fugaz, se recuarmos uns dias, poderemos assistir a uma visita de Donald Trump à Arábia Saudita, com o simples intuito da venda de armamento produzido pelos Estados Unidos da América. Surge a questão: Porque razão este pais venderia armas a estrangeiros, anos depois de sofrer um ataque bárbaro em pleno coração de Nova Iorque? Ataque esse causado por não americanos.

 

Poderemos fazer vigílias, homenagens e chorar todos os mortos. É necessário que o façamos. Porém, enquanto os hambúrgueres forem baratos, com publicidade atractiva e as politicas revelarem-se inexistentes, continuaremos a assistir, incrédulos, à multiplicação deste fenómeno.

 

Esta comparação poderá ser tão absurda quanto aparenta. No entanto, não será igualmente absurda toda a passividade com que a politica mundial assiste a estes crimes?

 

Tornar-se-ão os atentados algo tão indiferente como é a abertura de um novo restaurante?

 

Note bem: Parem de nos atirar sal para os olhos. Especialistas concordam que sal a mais torna- se prejudicial.

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