Solidariedade

FAP no Bairro: o projecto que faz sonhar

Tudo começou no Bairro do Carriçal, há sete anos. Entretanto, os estudantes universitários já se estenderam até ao Bairro Dr. Nuno Pinheiro Torres. São voluntários, o projecto é solidário e o desafio é criar uma consciência social nesta nova geração

Texto de Ana Rita Carvalho • 18/05/2017 - 09:19

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É daquelas apostas em que todos ganham. Os alunos da Universidade do Porto saem das salas de aula e oferecem o que sabem a quem deles precisa, percebendo simultaneamente que podem mudar o mundo que os rodeia. Já os moradores do Bairro do Carriçal aprendem novas competências e percebem que há quem se preocupe — com a sua saúde, as suas competências, com eles, em suma. E os mais novos começam a olhar para mais longe, a sonhar mais alto.

 

A Federação Académica do Porto (FAP) chegou ao Bairro do Carriçal a 6 de Dezembro de 2010, através de um projecto de solidariedade e intervenção social dos estudantes do Porto. O espaço é concebido e coordenado exclusivamente por alunos. E são esses alunos que, todos os dias, prestam serviço de voluntariado e dinamizam diversas actividades junto da população.

 

Foi no Bairro do Carriçal que a FAP abriu o primeiro centro comunitário, devido à “necessidade, não só de intervir na população do bairros, mas também de formar melhor os estudantes, para eles terem outras capacidades e desenvolverem outras responsabilidades”, explica a responsável pela área social da FAP, Cláudia Esteves.

 

O espaço, cedido pela Domus Social “por um valor residual”, precisava de ser remodelado e, por esse motivo, esteve encerrado um mês. “Tínhamos pessoas à porta, à espera, para ver como é que ia ficar e a perguntarem quando seria a reabertura”, relembra Claúdia. Voltou a abrir as portas no dia 25 de Abril com uma nova imagem e melhoradas condições. Mas esta não é a única instalação da FAP no Bairro: em 2014 o projecto cresceu e alargou-se ao Bairro Dr. Nuno Pinheiro Torres.

 

É de segunda a sexta-feira, das 15h30 às 19h30, que cerca de 45 jovens, entre os seis e os 22 anos de idade, se deslocam às instalações da FAP no Bairro para aprender ou jogar e, alguns, até para sonhar. “Ao conviverem com voluntários que são estudantes, eles [jovens] ganham outros objectivos, começam a querer coisas que antes não queriam, ou que não sabiam que existiam ou que seriam possíveis, alguns até querem ir para a universidade, coisa que há uns anos não acontecia”, revela Claúdia, entre sorrisos.

 

Passeios, jogos, experiências e “algumas actividades especializadas” (os estudantes de enfermagem, por exemplo, fazem rastreios gratuitos em ambos os bairros, “no mesmo dia e à mesma hora”) são alguns dos motivos que justificam o “sucesso do projecto”. Intervêm em dois bairros do Porto, mas apesar de uma certa distância geográfica, “são várias as actividades que são feitas em conjunto”, uma vez que pretendem que “a linha de actuação seja sempre semelhante entre este bairro [do Carriçal] e o Pinheiro Torres”, sublinha Cláudia. “Por exemplo, a coordenadora do Pinheiro Torres foi aqui voluntária e foi através da experiência que aqui adquiriu, com estas noções que teve capacidades de assumir a coordenação daquele espaço”, acrescenta.

 

São cerca de 45 voluntários que se organizam entre si e propõem actividades no início de cada mês – é esta a forma de garantir que, diariamente, estejam presentes em cada centro, pelo menos, três voluntários. Mas é na época de férias e em alturas de exames que a quantidade de voluntários diminui, o que não se revela um problema: “Temos um grande banco de voluntários, portanto conseguimos colmatar as falhas de uns com outros”, revela Claúdia Esteves. Mas “todos são bem-vindos”.

 

“Conquistar os adultos” — é este o novo foco da FAP. É nesse sentido que se redobram esforços. “Estamos a tentar responder às necessidades dos utentes, tentamos fazer o que nos pedem”, e a realidade é que, “em termos de procura de emprego”, as “capacidades que lhes faltam” na área tecnológica revelam-se um “obstáculo”. Daí a aposta em aulas de informática: “No início, apareciam uma média de três [adultos] por dia, mas agora começam a perguntar sobre as aulas de informática e penso que vão regressar”, explica a responsável pela área social da FAP.

 

Mas este não é o único novo foco da FAP, que ambiona criar um novo espaço, num novo bairro. “Nós começamos a fazer uma pesquisa de mercado, digamos assim, para tentar perceber onde é que os voluntários preferem actuar, se perto das casas deles, se perto das universidades onde estudam”, até porque “voluntariado sem voluntários não iria, nunca, resultar”. E a única coisa que a FAP quer é fazer sonhar.

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