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Crónica

É importante a inclusão dos idosos?

Não são números, são pessoas que todos os dias vivem na pele dificuldades concretas sobre as quais os planos autárquicos deveriam refletir soluções

Texto de Joana Pires • 17/05/2017 - 14:37

Joana Correia Pires, estudante do Curso de Licenciatura em Enfermagem

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Com as autárquicas a emergir no horizonte dos cidadãos, é importante vislumbrar algumas questões essenciais e transversais a todas as autarquias. Parece-me importante, não obstante outros temas, abordar a questão dos idosos. E porquê? Porque temos uma população em Portugal constituída em grande percentagem por idosos.

 

O rácio de 128 idosos para 100 jovens, demonstra bem as características de conteúdo populacional. Por isso constitui da máxima importância criar medidas para irem de encontro às reais necessidades da população.

 

De entre a população idosa, o empobrecimento, principalmente nos anos vigentes das politicas de austeridade de PSD/CDS, veio aprofundar ainda mais estas discrepâncias sociais. Para isso é preciso criar estratégias e medidas concretas, e especificas em cada autarquia, para esta faixa etária.

 

Pela construção de uma política social de proximidade, é importante perceber quais as necessidades básicas que os idosos têm mais dificuldade em garantir autonomamente. Os autocuidados dos banhos, vestir e despir, alimentar-se, estão largamente comprometidos para muito destes idosos. Constitui da máxima importância criar ligações e redes com as juntas de freguesia e câmaras, no apoio domiciliário bem como com centros de saúde, especificamente com unidades de apoio na comunidade e unidades móveis, que, para além da ajuda nos autocuidados, possam também agir na prestação de cuidados e promoção da saúde.

 

Já dispomos em algumas regiões de Unidades de Cuidados na Comunidade (UCC) e Unidades Móveis que se conseguem deslocar aos mais variados utentes. Precisamos, contudo, de mais profissionais e de áreas de abrangência destes serviços menores, pois é impossível fornecer uma prestação de cuidados com qualidade e segurança, com uma procura tão grande dos serviços sociais.

 

É preciso criar também estruturas que apoiem os idosos na manutenção das casas quando os mesmos não as podem realizar, numa perspetiva holística de promoção da qualidade de vida.

 

Também constitui principal importância que as autarquias criem um conjunto de ações e planificações de atividades e estruturas nas regiões para levar a cabo as demais atividades que tenham em vista o lazer e recrear dos idosos, atividades físicas e de promoção de estilos de vida saudáveis. Para isso é necessário planificar estruturas ou apoiar as já existentes, como lares, centro de dia e centros recreativos que vão de engaste na planificação de atividades para os idosos, por um envelhecimento ativo com acesso a atividades com componente importante na exclusão de um envelhecimento patológico.

 

Duas das palavras que mais regem esta faixa etária, os idosos, são a solidão e o isolamento. Pelo combate ao comportamento de uma política de alienação dos idosos e pelas consequências sociais, mentais e económicas, que a solidão e o isolamento trazem a reboque consigo, é importante isolar estas duas fações.

 

O envelhecimento da população coloca muitos desafios e coloca grande importância na necessidade de criar soluções reais na vida destas pessoas. Não são números, são pessoas que todos os dias vivem na pele dificuldades concretas sobre as quais os planos autárquicos deveriam refletir soluções. E depois acima de tudo, deveriam refletir iniciativas.

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