Concurso

Hack for Good: pode a tecnologia ajudar refugiados?

Inscrições para a "hackaton" da Gulbenkian estão abertas até 20 de Maio — e, dizem os vencedores do ano passado, vale bem a pena. Melhores ideias podem ganhar 5.000 e 2.000, respectivamente

Texto de Amanda Ribeiro • 14/05/2017 - 17:08

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Em Abril de 2016, Luís Curvelo, Pedro Santos, Ricardo Tavares e João Soares decidiram passar um fim-de-semana enfiados na Fundação Calouste Gulbenkian a criar uma solução tecnológica para melhorar a vida dos idosos; entraram com uma ideia muito embrionária, saíram com um projecto bem diferente, que lhes valeu o segundo lugar na maratona Hack for Good — e o respectivo prémio de dois mil euros.

 

A aplicação MyXimi, que é lançada no próximo mês, nascia aí, nos corredores da hackaton promovida pela Gulbenkian que se volta a realizar em Junho. Trata-se de uma aplicação, para já dirigida a adultos entre os 50 e os 69 anos, que pretende “através da gamificação responder a um problema que afecta milhões de pessoas em todo o mundo: a solidão”, descreve Luís Curvelo. A app vai permitir que os utilizadores se desafiem entre si para realizarem desafios em conjunto, como fazer uma caminhada ou jogar às cartas, recebendo por cada actividade pontos que darão acesso a descontos e brindes. Por outro lado, a aplicação também pode monitorizar dados biométricos, fornecendo informações úteis aos cuidadores formais ou informais dos utilizadores, sejam eles médicos ou familiares. Objectivo: “Lutar contra a solidão, ligar as pessoas, fazer com que as pessoas tenham uma vida mais activa, saudável e feliz”.

 

Num ano, e ainda sem estar online, a MyXimi, filha caçula do grupo Compta, passou pelo Web Summit, ganhou um prémio na Smart City Expo World Congress, de Barcelona, e encontra-se agora integrada no programa de aceleração Vertical, na Finlândia, um dos melhores da Europa na área de saúde e bem-estar — é a partir de lá, aliás, que Luís fala com o P3. E tudo isto graças àquela maratona na Gulbenkian. Talvez por isso a equipa tenha decidido participar novamente na Hack for Good. Como no ano passado, vão levar “trabalho de casa”, isto é, uma ideia; mas, ressalva o especialista em Gestão e Marketing, o que lhes interessa não é, de todo, o desfecho: “Não estamos preocupados com os resultados, estamos focados nas variáveis, no processo.”

 

É que, como explica Luís Jerónimo, gestor de projectos da Fundação Calouste Gulbenkian, o objectivo passa muito por “gerar ideias”, nem tanto “implementá-las” — no ano passado, o grande vencedor foi o projecto Cuidar-e, que para já ainda não avançou — mas isso não significa que a Hack for Good não dê importância à continuidade das iniciativas. “Estamos a trabalhar no acompanhamento subsequente dos projectos, é algo que queremos melhorar”, evidencia o responsável.

 

Cinco mil euros para a melhor proposta

Este ano, o mote passa por passar dois dias a procurar soluções tecnológicas para ajudar refugiados e as organizações que os apoiam. “Nesta maratona de desenvolvimento tecnológico queremos e pretendemos reunir o tradicional público destes eventos, como são os developers, os programadores e os designers, e desenvolver propostas para questões e problemas sociais”, diz Jerónimo. Num drama humanitário "premente" para o qual foram encontradas soluções suficientes, a tecnologia pode "ter um papel a desempenhar”.

 

Procuram-se, então, apps, sites, jogos e dispositivos que respondam a problemas como o reconhecimento de diplomas e documentação dos refugiados ou que melhorem o acesso à educação. Há cinco grandes temas: Infra-estrutura, Identidade, Educação, Saúde e Inclusão. As inscrições, que decorrem até 20 de Maio, estão abertas a todos os interessados, em particular programadores, gestores e criativos. Os candidatos devem estar, preferencialmente, inseridos em equipas multidisciplinares de três a cinco elementos e, idealmente, ter já uma proposta em cima da mesa. Só há lugar para 150 participantes, por isso todas as candidaturas serão alvo de uma avaliação.

 

Nos dias 24 e 25 de Junho, a Gulbenkian transforma-se então num “gigantesco laboratório”. As equipas, sublinha Luís Jerónimo, terão 36 horas para trabalhar na sua ideia, e contam com o aconselhamento de mentores da área tecnológica, mas também de organizações que trabalham com refugiados. Ao final da manhã de domingo, o júri fará uma pré-selecção dos dez projectos com “maior potencial” que serão depois apresentados durante a tarde. Daqui saem três vencedores, sendo que os dois primeiros ganham 5000 e 2000 euros, respectivamente. A avaliar pela velocidade das inscrições há muita “vontade de fazer a diferença”.

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