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Refugiados

Janta em casa do Afonso e ajuda-o a ser voluntário na Grécia

Afonso Borga só precisa de 300 euros para ser voluntário na ilha de Lesbos. No “Grão a Grão”, cada um paga o que achar justo por um jantar em sua casa

Texto de Ana Rita Carvalho • 20/04/2017 - 10:24

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Aos 22 anos, Afonso Borga organiza jantares solidários em casa com a intenção de juntar o dinheiro necessário para voltar a fazer voluntariado. Este quase licenciado em Serviço Social quer repetir as anteriores experiências em São Tomé e Princípe e Brasil, mas desta vez na Grécia, dados os problemas actuais gerados pela concentração de refugiados vindos de outros continentes.

 

Dessa vontade de repetição nasceu este projecto, ao qual chamou “Grão a Grão” — literalmente, que as receitas ainda são reduzidas e menores do que a determinação em voltar a ser voluntário por uma boa causa. "A par da Itália, a Grécia tem sido um dos países mais afectados por esta crise dos refugiados, em especial a ilha de Lesbos, onde vou desenvolver a minha acção”, explicou ao P3. O trabalho do jovem desenvolver-se-á, essencialmente, na área da educação, uma vez que dará “aulas nos campos de refugiados” e estará também envolvido na “dinamização de actividades lúdicas que permitam a ocupação das crianças durante o dia”, explica. Mas as suas funções abrangem também “a organização logística dos mantimentos até às patrulhas junto à costa”. A viagem está marcada para Julho. O regresso será em Setembro.

 

“Não podia deixar que a questão monetária fosse um impeditivo” e, por isso, inspirou-se num outro projecto, desenvolvido por Tiago Dias, “Tipicidades Urbanas”, sobre o qual o P3 escreveu em 2013. Os jantares em sua casa permitiram-lhe angariar fundos suficientes para um voluntariado no Quénia. Mas Afonso vai mais longe e pretende, a par da arrecadação monetária e da intervenção no terreno, sensibilizar e informar todos os que se envolvam na iniciativa, aproveitando o ambiente familiar e o facto de estarem sentados à volta de uma mesa para dialogar sobre o assunto e, quem sabe, aliciar outros jovens à envolvência neste género de iniciativas.

 

São necessários 300 euros

“Somos um povo sensível a causas sociais e a crises humanitárias, somos solidários e preocupados”, considera. São, inclusive, várias as sondagens internacionais que apontam que os portugueses estão entre os europeus mais disponíveis para receber refugiados. No entanto, são diversas as “concepções que se têm instalado”. O “Grão a Grão” visa combater as ideias de que “eles [refugiados] nos vêm roubar o emprego” ou que “são todos terroristas” e a desconfiança associada a estes pensamentos.

 

Até ao momento, Afonso, já confecionou três jantares em sua casa. Qualquer um pode participar e o preço do jantar é estipulado pelos convidados, pois cada um contribui com o que considera justo. As ementas são divulgadas na página de facebook do "Grão a Grão" e é também dessa forma que é possível marcar reservas. O valor mais elevado de uma refeição que a causa arrecadou, até agora, foram dez euros. A média “situa-se nos cinco”. Mas Afonso necessita de cerca de 300 euros, valor suficiente para “cobrir as despesas de deslocação e alimentação” durante o período de voluntariado. A estadia é assegurada pela Organização Não Governamental grega Emergency Response Centre International.

 

“Esta sensibilização não se esgota com os jantares”, revela Afonso Borga, que tem já em mente uma “segunda fase” para o “Grão a Grão”. Depois de terminado o voluntariado no campo de refugiados na Grécia, o jovem pretende levar o projecto até às escolas portuguesas, através de sessões de sensibilização para a questão dos refugiados e para a importância destes projectos de intervenção social.

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