As “mulheres de verdade” têm pêlos, brancas e período

autoria Amanda Ribeiro

// data 09/01/2017 - 18:17

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Há cerca de dois anos, num qualquer dia quentes de Primavera, Rocío Salazar quis vestir umas calças curtas para sair à rua e deu-se conta de uma coisa que, dizemos nós, talvez lhe tenha mudado a vida: "Não tinha a liberdade de o fazer sem antes remover todos os vestígios de pêlos das minhas pernas e, assim, apercebi-me que durante toda a minha vida estava a fazer algo que eu não tinha escolhido, que ter uns quantos pêlos não era assim tão horrível e que eu não era realmente livre para escolher", conta, em entrevista por email ao P3. Ilustradora ("Desenho desde sempre"), a espanhola natural de Sevilha decidiu passar para o papel todas essas conclusões. Fez, então, uma série de vinhetas sobre a depilação feminina que foi partilhada "milhares de vezes" no Facebook e que inspirou muita seguidoras a pedirem à jovem artista que falasse de "outras torturas" a que as mulheres se têm de submeter para "encaixar no único modelo feminino que é aceite: o da menina jovem, magra, sem 'brancas', discreta". Uma pequena bola de neve que culminou no livro Mentiras para ser una mujer de verdad, agora editado pela Lunwerg Editores, em que a artista reúne, com uma perspectiva humorística, algumas das "grandes mentiras que se tornaram verdades". E quais são elas? "Que nós, mulheres, não temos pêlos, nem envelhecemos, nem temos brancas e, claro, que a menstruação não existe." Com 32 anos, Rocío estudou nas Belas Artes e dedicou-se ao universo infantil. Actualmente, frequenta o 3.º ano do curso de Medicina e continua a trabalhar como ilustradora, usando o desenho como arma para combater situações "injustas" sobretudo relacionadas com as mulheres e os estereótipos que ("queiramos ou não") estão obrigadas a cumprir. "Abordar estes temas através do humor ajudou-me a distinguir o que realmente faço por opção própria do que faço obrigada pelo meu ambiente, quase sem dar-me conta. Creio que a aceitação que os meus desenhos tiveram revela que somos muitas a sentirmo-nos assim."

Eu acho que