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Ana Cristina Pereira é jornalista do PÚBLICO

Ana Cristina Pereira é jornalista do PÚBLICO

Nené estava internada no Hospital Nacional Simão Mendes, em Bissau

Nené estava internada no Hospital Nacional Simão Mendes, em Bissau Ana Cristina Pereira

Livro

As histórias recolhidas por Ana Cristina Pereira na Guiné-Bissau integram a primeira publicação da Casa dos Direitos, que deverá ser lançada no final de Fevereiro

Carla Carvalho Tomás

Guiné-Bissau

Crónica

Direitos das mulheres na Guiné-Bissau: missão cumprida

Desafios – direitos das mulheres na Guiné-Bissau. Está escrita a série de histórias que Ana Cristina Pereira andou a recolher em Outubro/Novembro de 2011, viagem que foi sendo partilhada com os utilizadores do P3

Texto de Ana Cristina Pereira • 10/02/2012 - 12:29

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Aida está com dores nas costas. Carregou 12 filhos – segurava-os com um pano pente. Carrega lenha, arroz, legumes. Nené e Liliana cruzam-se no Hospital Nacional Simão Mendes. Uma nunca passou da segunda classe, a outra estudou Serviço Social e Recursos Humanos no Nordeste do Brasil. 

 

Lígia combate elevadíssimas taxas de mortalidade materna-infantil no Gabú, uma região da Guiné-Bissau. A mulher de um emigrante engravidou de outro. Matou o recém-nascido. Nhima foi vítima de mutilação genital, casamento forçado, violência doméstica. Tornou-se deputada para legislar contra tais práticas. Fatumata Djau fintou parte das tradições “nefastas”. Agora lidera o comité nacional que as tenta erradicar. 

 

Mama está cansada. A doença do marido afastou muita gente. Enviuvou com oito filhos menores. Vale-se de uma ONG. Fatumata Binto ficou a morar com o filho mais velho. Está preocupada com o mais novo, que um mestre corânico atirou para a mendicidade. Sene, dirigente das produtoras de bubacalhau, faz vida como antes da morte do marido: recusa-se a ser herdada pelo cunhado. 

 

Fátima está à frente das produtoras de sal de Buba. A actividade permite-lhe conquistar um pouco de autonomia. Aprendeu a escrever o nome. Alice estudou Sociologia em Portugal. É secretária-geral de uma das maiores ONG da Guiné-Bissau. Aposta no papel emancipador da educação.

 

O facto de ter "cumbossa", afinal, ajuda Dajbi a conciliar família, profissão e activismo em prol do acesso à escola. Maimuna usa a rádio comunitária para promover os direitos das crianças e das mulheres. Está em Guiledje a ensinar algumas a fazer sal solar para as tirar de cima dos fogões de três pedras. 

 

Milza está no Parque Nacional de Orango a ajudar a salvar tartarugas, tubarões e outras espécies raras. Passa pouco tempo com os filhos, em Bissau. Sábado sabe o que é isso. Coordena a Área Marinha Protegida de Gestão Comunitária das Ilhas Urok. Foi pela família que Titina, a prima, deixou o trabalho de campo. 

 

M’Bom educou as filhas sozinha. Apesar dos fracos recursos, traçou uma estratégia económica. Vende peixe no mercado de Bandim. Helena fez carreira na banca e agora é ministra da Economia, do Plano e da Integração Regional. Acha que é preciso encarar os problemas como desafios. 

 

"Desafios – direitos das mulheres na Guiné-Bissau". Está escrita a série de histórias que lá andei a recolher em Outubro/Novembro, viagem que contigo aqui fui partilhando (vê artigos relacionados à direita). Integra a primeira publicação da Casa dos Direitos, que deverá ser lançada no final de Fevereiro, num espaço que acolhia a antiga esquadra de Bissau e que agora renasce como centro de recursos para a paz e para o desenvolvimento. 

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