Quarta, 16 Mai 2012 • 23h33
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Texto de Inês Raposo e Fábio Monteiro • 11/02/2012 - 14:14
No mural está escrito "Lisboa, Cidade da Tolerância" numa variedade de idiomas que não contrasta com o cenário. No Martim Moniz, as cores mudam de tom, nos rostos e nas roupas.
É irónico chegarmos a esta parte de Lisboa, onde se fala de multiculturidade e sermos nós a destoar da cor que aquelas ruas transpiram. Um espaço tipicamente étnico com diversos sabores, indumentárias e pessoas. Quanto mais nos embrenhamos pelas ruas, maior a sensação de realidade paralela, contrastante com o que estamos habituados a ver na zona da Baixa Lisboeta. A poucos passos de distância, acabam-se os restaurantes de "fast food", as lojas internacionais e os senhores de camisa branca que nos mostram a ementa do dia. Aparecem então os cafés de bairro, as lojas multimarcas e a ementa do dia descobre-se pelo cheiro a ervas e especiarias exóticas.
Infelizmente esta é uma faceta que muitos Lisboetas e turistas desconhecem, uns devido ao medo ou preconceito, outros porque nas páginas dos guias turísticos o bairro Martim Moniz não é referido. Isto leva a uma espécie de exclusão social, há pequenas lisboas dentro da grande capital. O Martim Moniz é uma dessas microcidades, aparentemente independente e quase autossuficiente.
É pena que muitos não se atrevam a desfrutar da plenitude de Lisboa e de todas as suas microcidades. Martim Moniz apesar de ser uma só podia dar mais cor e cultura a esta cidade se assim fosse reconhecida. Uma microcidade pequena e simples tal como as pessoas que a frequentam, mas com cores mais garridas e rostos sempre sorridentes, é engraçado se nos lembrarmos da velha frase do turismo de Portugal : “Vá para fora cá dentro”.
É um pequeno passo para aproveitar Lisboa na sua totalidade, para se aproveitar toda a cultura que está á disposição. Deixem os medos em casa e descubram novos horizontes na vossa cidade.
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