Mobilidade

Ciclistas vão ter mais 150 quilómetros para circular em Lisboa

Câmara vai criar novas ciclovias nos “grandes eixos viários” e promover a coexistência de automóveis e bicicletas nas ligações complementares

Texto de Inês Boaventura • 21/09/2016 - 11:21

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A rede de mobilidade ciclável da capital vai ganhar 150 quilómetros, a juntar aos 60 já existentes. Segundo o vereador da Estrutura Verde da Câmara de Lisboa, que adiantou que muitas das obras estarão concluídas “no primeiro semestre de 2017”, a intenção é “unir a cidade inteira” e oferecer a todos os que queiram deslocar-se de bicicleta uma rede com “condições de segurança”.

 

Na conferência "Mobilidade Sustentável em Lisboa", que decorreu esta terça-feira na Reitoria da Universidade de Lisboa, o vereador José Sá Fernandes recordou o tempo em que “muitos” olhavam para a ideia de criar ciclovias na cidade e de pôs os lisboetas a andar de bicicleta como “um devaneio”. Em 2007, acrescentou, havia “zero quilómetros de rede, zero utilizadores, zero discussão em torno do tema” e circular em duas rodas na cidade “era para heróis e desportistas”.

 

“Desde então estranhamente a cidade parece ter-se tornado mais plana”, ironizou o autarca, constatando que hoje em dia Lisboa tem já 60 quilómetros de ciclovias. Mas a câmara não quer ficar por aqui: o projecto que está em cima da mesa (e cujos detalhes deverão ser conhecidos em Outubro) prevê um crescimento da rede de mobilidade ciclável em 150 quilómetros.

 

Nalguns casos, explicou Sá Fernandes, o crescimento da rede far-se-á através da criação de ciclovias, segregadas da via rodoviária e destinadas em exclusivo à circulação de bicicletas. Noutras situações não haverá essa segregação, prevendo-se que ciclistas e automobilistas coexistam no mesmo espaço, espaço esse que será identificado com sinalização própria.

 

O vereador da Estrutura Verde adiantou ainda que haverá uma “rede principal” e uma “rede complemantar”. A primeira, “quase sempre segregada”, percorrerá “os grandes eixos viários” da cidade (Marginal, Benfica-Braço de Prata, Circular Exterior, Alcântara-Luz, Olivais, Eixo Central) até aos seus limites. Essa malha “será complementada” pela segunda rede, “mais fina” e desenvolvida no essencial “em coexistência” com o automóvel.

 

“O que pretendemos é unir a cidade inteira”, resumir Sá Fernandes, que sublinhou também a necessidade de esta ser uma rede “funcional, segura, amigável”. Outro objectivo é que ela seja “de fácil identificação”, estando a autarquia a trabalhar no desenvolvimento de “uma sinalética específica” que o permita.

 

Segundo o autarca, “muita da rede principal” estará concluída “no primeiro semestre de 2017”, sendo que “um ou outro troço” poderá só ser finalizado “no final de 2017 ou 2018”. Em locais da cidade como o Parque das Nações, a Avenida 24 de Julho, o Eixo Central e as avenidas Rovisco Pais e Praia da Vitória há já obras em curso.

 

Um "projecto de grande ambição"

Na sua intervenção na conferência, Sá Fernandes reconheceu que tem “o objectivo mais ambicioso” de ligar a rede de mobilidade ciclável de Lisboa à dos concelhos limítrofes. Por exemplo a Loures, município ao qual essa ligação poderá ser feita através de “uma ponte por cima do rio Trancão”.

 

Já o presidente da Câmara de Lisboa afirmou que está em causa “um projecto de grande ambição”, que vai permitir “a criação de uma verdadeira rede de mobilidade ciclável” na capital. Fernando Medina considerou os 60 quilómetros hoje existentes “um número impressionante”, mas notou que “uma parte importante concentra-se na ligação de zonas verdes”, o que “não é suficiente”.

 

Com os novos 150 quilómetros, defendeu o autarca, passará a haver “uma rede capaz de ligar os vários pontos da cidade”, “uma rede eficaz, efectiva, que cumpra as necessidades das pessoas”.

 

Na conferência que se realizou por ocasião da Semana Europeia da Mobilidade, Fernando Medina revelou que a autarquia vai promover “uma forte ampliação da rede de parques de estacionamento” em duas vertentes: parques dissuasores e parques para residentes. No total, disse, estão em causa “mais de quatro mil lugares”, que serão criados “ao longo do ano de 2017”.

 

Segundo indicou depois a Directora Municipal de Mobilidade e Transportes da câmara, que não se referiu a prazos, a orçamentos ou ao número de lugares previstos, são seis os parques dissuasores que se pretende disponibilizar. De acordo com Fátima Madureira, eles ficarão localizados na Belavista (Pingo Doce), no Colégio Militar (Estádio da Luz), em Santa Clara (na estação de metro da Ameixoeira), na Pontinha, em Pedrouços e no Campo Grande (no Estádio José Alvalade).

 

Outro dos oradores nesta conferência foi um dos administradores da Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (Emel), João Dias, que referiu que o “sistema de bicicletas públicas partilhadas” da cidade deverá entrar em funcionamento “antes do verão de 2017”.

 

O concurso público promovido pela empresa para a “aquisição, implementação e operação” do sistema durante oito anos ainda não foi formalmente concluído, mas já se sabe que a vencedora do procedimento foi a Órbita. A empresa portuguesa apresentou uma proposta no valor de cerca de 23 milhões de euros, valor que fica mais de cinco milhões de euros abaixo daquele que era o valor base do concurso.

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