Quarta, 16 Mai 2012 • 23h32
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Texto de Amanda Ribeiro • 31/01/2012 - 11:25
Quem passa pelas estações do Metro de Lisboa já está habituado a ver as meninas em lingerie da Triumph ou os abdominais dos espadaúdos jovens da DIM ou Armani. Mas parece que não vai ser desta que se verá publicidade da rede social gay Manhunt com dois homens de tronco nu na vertigem de um beijo (em cima) ou até de t-shirt num abraço (à esquerda). A razão? Esta publicidade pode "ferir susceptibilidades", justifica o Metropolitano de Lisboa (ML), que recusou a campanha este mês.
Tudo começou há cerca de um ano, conta Iúri Vilar, responsável em Portugal pela Manhunt, rede social norte-americana utilizada, maioritariamente, por homens homossexuais para combinar encontros. Tendo em conta que já existem 60 mil utilizadores no país (6 milhões a nível mundial), Iúri contactou a Multimedia Outdoors Portugal (MOP), empresa que gere a publicidade no ML, no sentido de fazer publicidade à rede social e à respectiva aplicação móvel na MOP TV para "atingir as pessoas que ainda estão no armário".
O serviço de televisão interna foi, entretanto, desactivado e só em Outubro foi assinado um contrato, segundo o qual a Manhunt teria 15 múpis (Mobiliário Urbano Para Informação) nas estações mais centrais, nomeadamente Rato, Saldanha, Picoas, Marquês do Pombal, Cais do Sodré e Restauradores. "Eles [a MOP] estavam super entusiasmados em ter esta publicidade mais 'revolucionária'", evidencia Iúri. O objectivo seria arrancar com a campanha em inícios de Dezembro.
A versão final do primeiro cartaz foi recusada num e-mail da MOP a dar conta da reprovação do ML. "Convém dizer que esta é a publicidade que está em todo o mundo, nos EUA, Rio de Janeiro, e que nunca houve nenhum problema", sublinha Iúri. A segunda versão foi então enviada e a resposta, enviada por e-mail pela MOP, foi mais concreta: "Os temas de teor sexual não estão autorizados nas redes [de múpis]."
Homofobia ou a satisfação dos clientes?
A publicidade na rede é gerida pela MOP, mas o "ML intervém caso entenda exercer a faculdade (...) de não autorizar a colocação de publicidade, em determinadas circunstâncias", refere a transportadora, em declarações enviadas ao P3. Foi este o caso: "O ML foi solicitado a pronunciar-se sobre a campanha proposta em Janeiro deste ano, tendo recusado a autorização na mesma semana em que recebemos o pedido."
Iúri acusa o Metropolitano de "discriminação e homofobia", uma crítica "totalmente infundada", responde o ML, que salienta que a prioridade da empresa "é a satisfação dos clientes", não sendo, "primordialmente, um espaço publicitário". "Sempre que se coloque a dúvida de que a natureza dos produtos ou serviços em causa ou o teor da mensagem de uma campanha publicitária possam ferir susceptibilidades, é opção do ML não aceitar a divulgação da mesma na sua rede, independentemente da orientação sexual do respectivo público-alvo."
Agora Iúri, ameaçando recorrer aos tribunais, espera que lhe seja devolvido o pagamento, embora seja cada vez mais difícil falar com a MOP. A comercial com quem fechou o negócio não atende o telefone. Na tarde de terça-feira, dia 31 de Janeiro, a MOP garantiu ao P3 que o pagamento já havia sido efectuado, atribuindo o atraso aos trâmites da transferência bancária.
Notícia actualizada às 19h24 do dia 31 com a reacção da MOP
Comentários
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Protheus (não registado)
06/03/2012 - 19:24
Pa,é assim, uma coisa é fazerem publicidade ao cd dos Culture Club que não tem mal nenhum e até é fixe (para algumas pessoas), outra coisa é fazerem publicidade a uma cena que só serve para apanhar a SIDA NAS ESCOLAS!
Alexandre
01/02/2012 - 12:13
Numa cidade que se diz evoluída, o Metro de Lisboa acabou por conseguir "ferir susceptibilidades".
Anónimo (não registado)
31/01/2012 - 21:17
Acho muito bem. Numa sociedade que já está cheia de aberrações da natureza, ainda bem que ainda vamos tendo entidades que não pactuam com a pouca vergonha instalada. Ainda por cima é esta corporação que está a dominar a maior parte dos lugares de poder. Veja-se o que se passa na política, nos media etc. Só tenho pena que o P3 , que tem sido uma lufada de ar fresco, na actual área da comunicação, continue a insistir em temas que só contribuem para a deterioração dos valores da sociedade,
KA (não registado)
31/01/2012 - 16:10
Bem acho correctíssimo isso, com a queda da demográfica, não vejo também ninguém a fazer incentivo à heterossexualidade (sim com boas e serias politicas social era possível dar lugar ao Homem e à Mulher, e não transforma-los unicamente em números) , assim como torna-se ridículo o uso constante do corpo da mulher para tentar fazer vender um produto através da erotização quase pornográfica, com a agravante de com o passar do tempo mais uma vez as pessoas terem uma ideia diferente do que é o amor, sexo e afins, aquilo que se falava da perda do respeito pelo Homem e pela Mulher vinte ou trinta anos atrás, esta a acontecer. A Civilização Ocidental esta em decadência e a Europa há muito que morreu! - Acho piada uma coisa, se existe promoção a homossexualidade porque não pode haver promoção a homofobia!? a mim não me preocupa o que homens ou mulheres fazem dentro de casa... Aqui esta mais uma hipocrisia da liberdade, ao quererem direitos acabam por impingir aos outros o que não querem nem tem que estar a ver! - Estou convicto que se dessem mais dinheiro ao ML conseguiriam!
ra (não registado)
31/01/2012 - 15:56
A publicidade na rede é gerida pela MOP, mas o "ML intervém caso entenda exercer a faculdade (...) de não autorizar a colocação de publicidade, em determinadas circunstâncias" As sucessivas publicidades em que a mulher é sexualmente objetificada ferem-me profundamente como cidadã mas sempre me tentei consolar com o propósito de que a mulher era reduzida a essa faculdade devido ao dinheiro que provinha dessa publicidade. Agora, ao recusarem-se a colocar dois homens abraçados estão a ter uma atitude puramente HOMOFÓBICA e deveriam ser processados e multados.
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