África do Sul: a linha que separa ricos e pobres

autoria Johnny Miller

// data 24/06/2016 - 20:24

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As fotografias sobre o tema da pobreza foram, ao longo dos anos, perdendo a força e o impacto de outrora. A imagem do africano pobre com olhar triste, diante do barraco onde vive, já foi feita repetidamente e o público já a conhece do ponto de vista semântico e estético. "Talvez estejamos cansados dessas imagens ou demasiado acostumados a vê-las e por isso já não ressoam do mesmo modo", disse ao P3, em entrevista, o fotógrafo norte-americano Johnny Miller. Consciente desse facto, decidiu persistir na busca de uma nova abordagem ao tema, uma que permitisse ao espectador adquirir um novo olhar e um novo fôlego para a discussão. "Passei muito tempo a tentar fotografar as pessoas de modo a registar a sua humanidade, o seu sofrimento, as suas histórias. Nada suscitou o interesse dos média. Assim que sobrevooei estas pessoas e elas se tornaram apenas pequenos pontos na paisagem, toda a gente começou a prestar atenção." A África do Sul foi, no passado, um país onde as fronteiras entre raças e estratos socio-económicos eram desejáveis e, por esse motivo, gritantes. O regime de segregação racial Apartheid foi — e ainda é — responsável pela profunda divisão entre ricos e pobres que se verifica no país. Do ponto de vista urbanístico, muito teria de ser feito para homogeneizar a construção e distribuir a população. Muito desse trabalho, como se pode verificar através da série fotográfica "Unequal Scenes", está ainda por fazer. As reacções ao projecto têm-se multiplicado e podem ser lidas na página de Facebook do projecto, Twitter, ou mesmo no seu canal do YouTube. Segundo Miller, são maioritariamente positivas, mas há também quem o ataque. "Os comentários negativos são muitas vezes pouco coerentes. Por exemplo, houve inúmeras pessoas a perguntar-me porque não me centrava antes nos assassínios de proprietários. O projecto não é sobre esse tema. E também não é um ataque aos brancos privilegiados. O projecto limita-se a revelar a realidade daquela cidade. Isto mostrou-me que muitas pessoas têm problemas em aceitar que existe um problema neste país." O fotógrafo espera, com o projecto, poder abrir novos espaços de diálogo sobre o tema da segregação socio-económica na África do Sul e no mundo. Ana Marques Maia

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