Saúde

Estas inovações mudaram a vida dos doentes e não foram criadas por médicos

Patient Innovation Awards elegeu sete projectos entre mais de 500 na segunda edição dos seus prémios internacionais. Asperger, autismo, Crohn ou fibrose cística. Para estas doenças há respostas de pacientes e cuidadores que fazem a diferença

Texto de P3 • 07/04/2016 - 19:20

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No dia-a-dia da vivência de uma doença, há soluções das quais só pacientes e cuidadores se lembrariam. A Patient Innovation nasceu há dois anos para partilhar essas inovações que passam ao lado da medicina — como a da mãe Joaquina Teixeira ou do jovem Diogo, que o P3 apresentou recentemente. No Dia Mundial da Saúde, assinalado esta quinta-feira, 7 de Abril, a plataforma digital portuguesa revelou os sete vencedores da segunda edição dos seus prémios internacionais. 

 

Um dispositivo para dar a volta à Crohn

Tinha apenas dez anos quando foi diagnosticado. Doença de Crohn. Michael Seres fez a primeira cirurgia aos 14 anos, seguiram-se mais 24. E uma insuficiência intestinal que o transformou no 11.º paciente do Reino Unido a fazer um transplante de intestino no Churchill Hospital Oxford. O britânico viu a vida virada do avesso. Fez uma estomia, procedimento cirúrgico que consiste na construção de um orifício externo na parede abdominal, por onde as fezes e a urina são eliminadas para o exterior. Mas quando esvaziar este saco era uma dúvida constante. Foi aí que Michael Seres começou a criar uma solução. Comprou uma fita de um sensor flexível, de uma luva de Nintendo Wii, no eBay. E lembrou-se de colocar um sensor na parte externa do saco, de forma a medir o seu movimento. Seres fez vários protótipos. A criação final, já comercializada, é um dispositivo que envia as medições do saco, via Bluetooth, para um "smartphone".

 

A brincar se ganha saúde  

Durante a fisioterapia respiratória diária para a fibrose cística que a filha fazia, David Day batia-se com a angústia e o sofrimento de Alicia. A menina de quatro anos chorava e rejeitava a fisioterapia. E, sem ela, não conseguia expelir o muco acumulado nos pulmões e estes transformavam-se num local de proliferação de bactérias. Foi então que o pai, professor na Universidade de Derby, no Reino Unido, se lembrou que talvez pudesse ser ele próprio a criar a solução. Com a ajuda de investigadores da faculdade onde trabalha, David desenvolveu um videojogo. Para jogar, a menina usa um dispositivo que liga os tubos de respiração ao computador. E dessa forma consegue controlar os personagens e objectos no ecrã. "Ela soprou no aparelho, viu flores a mexerem-se e olhou para mim com admiração", conta o pai. "Perguntou-me como estava a fazer aquilo e disse-lhe que era magia. Ela adorou e desde aí acabámos com toda a pressão e preocupação da fisioterapia."

 

Um site, várias soluções  

Um acidente de automóvel deixou Giesbert Nijhuis paralisado do pescoço para baixo, irreversivelmente. Estávamos em 1996 e a vida dele mudava para sempre. O holandês criou então um site, distinguido agora pela Patient Innovation, onde partilha as muitas soluções que vai criando para melhorar a vida dele — e a dos outros em condições semelhantes. Por exemplo, uma forma de conseguir tirar fotografias ou de ter o computador acessível quando está na cama.

 

AngelSense, um GPS anjo da guarda

É uma espécie de GPS (em forma de cinto) e um anjo da guarda para crianças com síndrome de Asperger ou autismo. Doron Somer, pai de um menino autista, criou esta aplicação que permite aos pais saberem exactamente onde estão os filhos. É que sendo o autismo um distúrbio neurológico que afecta o comportamento, e diminui a capacidade de comunicar, são muitos os casos de crianças que se perdem. O sistema inteligente armazena informação sobre os percursos habituais do utilizador e pode inclusive alertar os pais sempre que haja alterações aos hábitos. Apesar de ter sido desenvolvido para crianças, este dispositivo pode ser utilizado por qualquer pessoa e pode ser particularmente interessante para idosos com doenças como Alzheimer.

 

De neto para avô

É também um dispositivo inteligente capaz de detectar movimento. A ideia andou a marinar na cabeça de Kenneth Shinozuka por muitos anos mas só foi posta em prática quando precisou de ajudar o avô. Doente com Alzheimer, o senhor vagueava à noite pela casa — enquanto a família temia quedas e outros acidentes. Com um par de meias projectado para enviar alertas para o cuidador se o paciente sair da cama, a vida deles tornou-se bem mais fácil. A película contém um circuito sem fios ligado ao calcanhar do paciente via "bluetooth" e conecta-se a uma aplicação para "smartphone".

 

A bengala inteligente

Há muito que Pavel Kurbatsky se tornou um criador de coisas. Tinha apenas nove anos quando inventou um termómetro especial a pensar nas pessoas cegas e amblíopes. Aos dezoito, o jovem russo surpreendeu com uma bengala especial para o mesmo público, onde sensores são capazes de alertar o utilizador para os obstáculos que surjam. Este Walking Talking Stick integra ainda um GPS que recolhe informação sobre um determinado local para referência futura. Em Portugal, as universidades são importantes laboratórios de desenvolvimento de soluções para pessoas cegas. 

 

Uma cadeira com rodas dobráveis

Não foi exactamente para este fim que Duncan Fitzsimons começou por trabalhar. Era ainda estudante de pós-graduação no Royal College of Arts, em Londres, quando concebeu uma roda de bicicleta capaz de se dobrar. O surpreendente aconteceu a seguir: o estudante começou a receber e-mails de pessoas que utilizavam cadeiras de rodas e que viam naquela criação uma grande oportunidade. A roda desenvolvida depois — e baptizada de Morph Wheels — permite a estas pessoas dobrar a cadeira de rodas e torná-la portátil.

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