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Frase
"A decisão de sair do nosso país não é fácil - é pesada, dolorosa. Não é por um político afirmar que as pessoas devem fazê-lo que a emigração acontece"
Texto de João Ramos de Almeida e Graça Barbosa Ribeiro • 20/12/2011 - 15:24
A sugestão do primeiro-ministro de que os professores deviam olhar para os países de língua portuguesa como uma alternativa ao desemprego em Portugal, voltou a chamar a atenção para o fenómeno da emigração. Mas, segundo João Peixoto, investigador do Instituto Superior de Economia e Gestão, "a atenção política e mediática em relação a este fenómeno é o único dado novo".
"Para tomar a decisão de emigrar não basta estarmos mal aqui, é preciso que tenhamos para onde ir", comenta o professor, que acredita que a saída de profissionais qualificados do país, em 2011, não foi "muito superior" à que se tem verificado anualmente, ao longo da última década.
A abertura das fronteiras, na Europa, não permite trabalhar com dados rigorosos sobre a entrada e saída de cidadãos nos diversos países. Uma ressalva feita por João Peixoto que, no entanto, considera que se sabe o suficiente para adivinhar que "não estará em curso uma emigração em massa".
"Os fenómenos migratórios verificam-se quando há uma oferta evidente de emprego num determinado país. Assim se explica que anos 80 tenha havido um surto para a Suíça, na década de 90 para a Alemanha e entre 2000 e 2008 para Espanha. Mas... e agora? As pessoas emigram para onde? Não é fácil encontrar para onde mudar — o problema é generalizado", comenta.
João Peixoto considera que a sensibilidade aos primeiros sinais da crise por parte de profissionais qualificados não é de agora, e os representantes de várias ordens profissionais contactados pelo PÚBLICO, confirmam-no. Enfermeiros, farmacêuticos e médicos-dentistas, por exemplo, têm tido na Europa o destino privilegiado.
Engenheiros civis e arquitectos, já ocuparam países europeus, e só agora, com a especial pressão do desemprego no sector da construção civil, se começam a virar para destinos mais distantes, mas onde a oferta de emprego é uma realidade: Brasil e Angola.
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