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Tiago Nogueira é mestrando em Ciências da Comunicação

O excerto

De uma ou de outra maneira nós já iriamos estudar, porque somos ambiciosos e queremos sempre mais, mas a pressão que nos incutem é demasiada e isso leva a que tomemos decisões precipitadas e descuidadas. No 12.º ano ainda temos que pedir para ir ao WC, mas no fim do mesmo, temos que tomar, sozinhos, uma das decisões mais importantes das nossas vidas: "O que é que eu quero fazer para o resto da vida?" Mas isto tem lógica?

Geraint Rowland/Flickr

Crónica

A pressão dos 20 anos

A pressão que nos incutem é demasiada, somos jovens e queremos aproveitar, não queremos estar sempre a ouvir "não deixes fugir essa oportunidade"

Texto de Tiago Nogueira • 16/07/2015 - 16:44

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A culpa não é nossa, a culpa é de quem nos pressiona ao longo da nossa vida académica para sermos os melhores e porque só os melhores se destacam nesta vida. Desde pequenos que aprendemos que o mais importante são os estudos e que é a eles que nos devemos dedicar a 100 por cento.

 

Quando acabamos os estudos, que nunca acabamos, preocupamo-nos em continuar a estudar, num mestrado, numa pós-graduação, num doutoramento, e por aí adiante, porque diariamente ouvimos falar em "crise" e no desemprego. Mas que culpa temos nós, jovens, de 20 e poucos anos, que o nosso país esteja enterrado até à cabeça? De uma ou de outra maneira nós já iríamos estudar, porque somos ambiciosos e queremos sempre mais, mas a pressão que nos incutem é demasiada e isso leva a que tomemos decisões precipitadas e descuidadas. No 12.º ano ainda temos que pedir para ir ao WC, mas no fim do mesmo temos que tomar sozinhos uma das decisões mais importantes das nossas vidas: "O que é que eu quero fazer para o resto da vida?". Mas isto tem lógica?

 

Eu, como muitos outros, errei e escolhi mal, mas, pelo menos, à segunda encontrei o que pretendia. Porém, a vida académica não é o mais importante, e ouvimos sempre: "Estuda agora que, depois, vais ter tempo para estar com os teus amigos e andar na vadiice". Querem-nos fazer adultos demasiado cedo, dar-nos responsabilidades de uma dia para o outro sem esperar que erremos, e depois transformam-nos em máquina ambiciosas em busca de sermos os melhores o mais rapidamente possível, para que num futuro próximo possamos estar descansados. Mas, ao mesmo tempo que procuramos ser os melhores, e nos focamos especialmente na nossa vida académica que se transforma em profissional, descuidamo-nos de algo, e esse algo é sempre o mesmo: as pessoas que nos rodeiam e que estiveram sempre ao nosso lado e acompanharam o nosso percurso.

 

Mas não nos descuidamos delas por falta de vontade ou por ganância. Simplesmente, perdemos a noção do tempo e do espaço e pensamos para nós: "Eles vão estar sempre lá", mas a verdade é que não, "tudo se transforma". Ensinam-nos que "a vida é uma alucinante aventura da qual jamais sairemos vivos" e de um dia para o outro a vida é trabalho e só isso. Quando abrimos os olhos, já é demasiado tarde e o tempo não volta atrás, por muito que queiramos. Por isso, de que adianta viver cheio de zeros à direita, numa conta multibanco, quando dentro de casa está um vazio?

 

A pressão que nos incutem é demasiada, somos jovens e queremos aproveitar, não queremos estar sempre a ouvir: "Não deixes fugir essa oportunidade", "agarra-a", "mais tarde arrependes-te", porque a verdade é essa, arrependemo-nos, mas de ter dado ouvidos a quem não devíamos. Somos os melhores e agora o que é que somos? Somos os melhores, mas somos os melhores sozinhos.

Eu acho que
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