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Geração

Emigração jovem: dados oficiais não contam tudo

Especialistas acreditam que o número de jovens que emigraram dos países do Sul de Europa seja o dobro do registado, porque muitos não alteram a residência. O projecto de investigação Generation E recolheu histórias de mais destes 1200 jovens emigrados desde que a crise financeira se instalou

Texto de Sara Moreira • 24/11/2014 - 10:59

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Nos últimos anos, a emigração portuguesa atingiu números que ultrapassam o máximo histórico registado no final dos anos 60, em plena guerra colonial. Desde 2010, mais de 200 mil portugueses entre os 20 e os 40 anos deixaram oficialmente o país (como emigrantes permanentes, por um período superior a um ano, ou temporários). E há razões para crer que as estimativas oficiais pecam por defeito.

 

A liberdade de circulação permitida pelo acordo de Schengen e a falta de registos oficiais de saídas dificultam a monitorização do fenómeno. “Estimar e caracterizar a emigração de um país requer que se compilem os dados sobre a entrada e permanência dos emigrantes desse país nos países de destino”, destaca o Relatório Estatístico da Emigração Portuguesa de 2014 sobre o facto de apenas serem feitos os registos da imigração.

 

Só o número de entradas registadas nos três países com mais imigração portuguesa em 2013 - Reino Unido, Suíça, Alemanha, num total de 55.910 indivíduos - é mais elevado do que aquele que é apontado pelo INE para as saídas permanentes no mesmo ano para todos os destinos (53.786).

 

Ficam números por contar. No livro "Expulsions: Brutality and Complexity in the Global Economy", lançado em Maio de 2014, a socióloga e especialista em questões de migração e globalização Saskia Sassen refere-se aos casos daqueles que não entram para as estatísticas como “eventos invisíveis”.

 

É o caso da emigração dos jovens emigrantes italianos. Segundo estimativas do website "Fuga dei Talenti" e a pesquisa da jornalista italiana Claudia Cucchiarato, autora do livro Vivo Altrove, as saídas de jovens italianos do seu país serão cerca do dobro das registadas pelo AIRE, o organismo responsável pela monitorização destes fluxos. "Um aspecto fundamental para quem deixa Itália é que, com o registo no AIRE perde, entre outras coisas, o direito à assistência médica", indica o site do Observatório dos Italianos em Berlim.

 

O mesmo alerta é feito pela socióloga espanhola Amparo González, que liga a falta de dados fiáveis à ausência de estímulos positivos para que os emigrantes espanhóis se registem. Por enquanto, aqueles que mudam oficialmente de residência para outro país “perdem o acesso ao seu médico de família, depois de três meses a viver no exterior."

 

A tendência para a invisibilidade estatística foi confirmada pelo projecto Generation E: 532 dos 1221 jovens emigrantes que participaram num inquérito lançado no início de Setembro não registaram oficialmente a sua mudança de residência. O projecto de investigação em causa foi desenvolvido por uma equipa internacional de jornalistas que pretende descortinar os fluxos invisíveis da emigração jovem dos países europeus mais afectados pela crise económica.

 

“Quando a crise se generalizou no Sul da Europa, decidimos procurar algo mais para o Norte, algo que nos desse mais estabilidade”. Por essa altura, 2012, Joana Moreno estava a viver em Barcelona com o namorado. Tinha então 29 anos, uma experiência Erasmus em Milão, um bom emprego na capital catalã e o plano de regressar a Portugal “assim que a situação melhorasse”. Mas o plano teve de ser adiado. Ao verem os pais perder o emprego em Portugal, Joana e o seu companheiro não quiseram arriscar o mesmo futuro. Mudaram-se para a Suécia, onde já estão há dois anos, e dizem que valeu a pena, que “a vida melhorou bastante, profissionalmente e monetariamente”. Compraram apartamento no início de Setembro, e, de momento, é por ali que querem ficar.

 

Joana faz parte de uma geração activa, produtiva e fértil que tem deixado aos milhares os países do Sul da Europa nos últimos anos. Como ela, mais de 1200 pessoas entre os 20 e os 40 anos, de Portugal, Espanha, Itália e Grécia contaram a sua história ao projecto Generation E.

 

Lê o artigo completo no PÚBLICO.

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