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Telemóvel é uma "parte da identidade pessoal dos jovens", diz a investigadora In

Telemóvel é uma "parte da identidade pessoal dos jovens", diz a investigadora Inês Teixeira-Botelho Pedro Cunha

Dados

Inês Teixeira-Botelho
a autora do livro tem um mestrado em Ciências da Comunicação pela Universidade Católica Portuguesa

"Geração Extreme" partiu de uma tese de mestrado sobre os hábitos dos jovens que usam telemóveis pré-pagos e com tarifários sem mensalidade

Estudo

A ”Geração Extreme” não vive sem telemóvel

Não imaginam a realidade sem a tecnologia: telemóvel e internet. Estão sempre contactáveis e os amigos e família determinam a escolha do tarifário

Texto de Pedro Santos Ferreira/JPN • 14/11/2011 - 11:44

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São jovens, entre os 18 e os 24 anos, e fazem parte de uma geração dependente do telemóvel, que "se relaciona preferencialmente com pessoas pertencentes ao mesmo tarifário". Quem o diz é Inês Teixeira-Botelho, no livro "Geração Extreme".

 

O estudo desta jovem, que se considera uma nativa digital, dá a conhecer os hábitos de utilização do telemóvel e da internet aos emigrantes digitais (pais, tios e avós) e a todos aqueles que pretendem conhecer o mundo em que vivem. Nas palavras de Inês, esta é uma geração muitas vezes mal interpretada, principalmente "porque ficam por contar histórias de sucesso".

 

Os jovens de hoje são "cidadãos do mundo", dispostos a manter relações "que sejam uma extensão da sua própria identidade". É aqui que o telemóvel assume grande importância, pois é visto como "parte da identidade pessoal dos jovens e também a base da sua sociabilidade enquanto seres humanos".

 

"Hypertext-minds"

"É difícil para eles pensar na realidade de forma separada das suas tecnologias pessoais", comenta Inês. O que os caracteriza são as "relações interpessoais ininterruptas", sendo que "esta geração criou uma nova pontualidade". Graças ao telemóvel estão sempre em contacto e reajustam constantemente o que estava inicialmente combinado.

 

Os raciocínios são desenvolvidos em paralelo, o que a autora apelida de "hypertext-minds", ou seja, a facilidade de executar várias tarefas ao mesmo tempo. Actualmente, os jovens habituaram-se a viver de uma forma menos programada, em contacto permanente. Graças à tecnologia, "mantêm facilmente relações sem fronteiras com amigos de outras nacionalidades" e sentem a necessidade de contribuir para a evolução do mercado. "Se gostam, elogiam, mas se se sentem enganados também partilham", explica a autora.

 

Inês Teixeira-Botelho revela algumas conclusões da sua investigação e aponta os amigos e a família como factor mais importante na hora de escolher o tarifário sem mensalidade. "Esta é uma geração que procura um sentido para tudo", sempre pronta a fazer "like" ou a criticar. "Veste muito a camisola das marcas que consome", refere a autora.

 

Um mercado pensado para os jovens

Uma das suas conclusões indica que, apesar de serem todos "extreme", têm diferenças entre si: estilísticas, sociais e geográficas. Ser membro de um tarifário pode significar a inclusão ou exclusão de um grupo de amizade. A "Geração Extreme" está sempre "in touch" com as pessoas de quem mais gosta através do telemóvel, da internet e das redes sociais. Apesar de ainda estar a trabalhar nestas conclusões, Inês Teixeira-Botelho notou que existem tarifários que predominam mais no norte, enquanto outros se concentram no centro do país.

 

Sobre a evolução no sector das telecomunicações, primeiro com as mensagens grátis e depois com as chamadas, a autora acredita que "foi uma conquista dos jovens graças à saturação do mercado e uma evolução natural". Como impulsionadores do uso das tecnologias e através da influência que exercem nos seus antecessores, os jovens conseguiram atrair a atenção das operadoras móveis, que cada vez mais se adaptam ao mercado existente, onde predomina o público jovem.

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