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Como é a pessoa que queres que entre na tua vida?

autoria Sandra Jõgeva

// data 16/09/2014 - 12:07

// 11789 leituras

A 22 de Novembro de 2013, Sandra Jõgeva escreveu um texto com 21 alíneas que se chamava "A pessoa que eu quero que entre na minha vida em três meses". O documento desapareceu, misteriosamente, a 23 de Março de 2014. Lembra-se de alguns pontos: "Faz-me sentir uma pessoa melhor"; "Sinto menos medo e ansiedade a seu lado"; "Inspira-me". E outros que agora parecem "embaraçosamente egoístas": "'Ele tem material e capacidades técnicas das quais eu posso usufruir' — obviamente uma dica para uma boa câmara de filmar!". Para esta série, a artista estónia recuperou essa mesma proposta. Escolheu 15 pessoas, todas solteiras, de diferentes idades e percursos — hetero e homossexuais, praticantes de yoga, estudantes, professores, um padre gay, um lendário poeta alcoólico. Pessoas "normais", conta ao P3, que foram fotografadas por Epp Kubu, Igor Ruus, Jaanus Samma, Jaanika Kuklase, Fred Harjaks e Arne Maasik no sítio que consideram a sua casa, com os respectivos colegas de casa — animais, filhos, irmãos. A própria Sandra Jõgeva, que hoje se tem dedicado à realização de documentários e à produção de programas televisivos de arte, foi retratada enquanto partilhava o seu "pequeno" apartamento com duas pessoas que trabalhavam no seu filme. "Como uma antropologista a viver com uma tribo." A todos foi pedido que descrevessem a pessoa que gostavam que entrasse nas suas vidas. Se Triin escreveu um poema sobre a questão, Igor, retratado ao lado de Cherry, quase fez uma cantiga: "Os equipamentos de gravação devem ser 'Made in Japan'. O carro tem de ser 'Made in Germany'. E a mulher 'Made in Russia'." Já Ivo gostava de descobrir "o mais belo e perfeito homem com um rabo de peixe", que o adore "incondicionalmente". "Mas uma vez que é impossível encontrá-lo, a condição de ser uma cabra a usar maquilhagem suja e de ser violada numa piscina está igualmente bem." Esta série foi concebida originalmente para a galeria Tam, em Talin, que partilha o espaço com restaurante elegante. Durante a exposição, que decorreu há alguns meses, os textos, dos quais extraímos os depoimentos de cada um, transformaram-se, então, em ementas falsas; as mesas, por seu turno, receberam as duas fotografias de cada pessoa, dispostas costas com costas, para recriar um efeito 3D, explica a artista. "Algumas pessoas, incluindo uma crítica de arte estónia, Mari Kartau, consideraram que o conceito da exposição se referia à cultura de consumo de hoje e à forma como as pessoas querem 'encomendar' a pessoa que amam como se fosse comida num restaurante chique." AR

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