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Inês é uma verdadeira mulher do Norte (seja lá o que isso for), professora universitária e mãe babada

O excerto

Num grupo de amigas, o normal é serem todas diferentes, e é essa diversidade que dá um sentido e um valor especial à amizade. As amigas não se substituem umas às outras, todas são únicas e insubstituíveis.

Rita Salomé Esteves

Crónica

Amizade no feminino

Podemos estar dias, semanas ou meses sem nos vermos, mas a amizade mantém-se intacta. E estamos sempre do outro lado do telemóvel ou do computador, umas para as outras

Texto de Inês Aroso • 13/06/2014 - 11:46

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A amizade entre as mulheres não é tida em muito boa conta. Diz-se que as mulheres, como amigas, são menos verdadeiras e mais complicadas do que os homens. Também se diz que as mulheres falam mal das amigas pelas costas, que reparam demasiado na aparência umas das outras e que nunca são verdadeiramente sinceras. Admito que haverá mulheres assim, mas estas não entram no meu conceito de amigas. Aliás, respeito demasiado a palavra “amizade” para chamar amiga (ou amigo) a qualquer pessoa. No que toca à amizade, sou defensora da velha máxima: “poucos mas bons”.

 

Diz-se que a verdadeira amizade sobrevive ao tempo. Eu diria mais: a verdadeira amizade sobrevive à falta de tempo. De facto, a minha convivência com as amigas não é tão frequente e animada como na famosa série “O Sexo e a Cidade”. Na verdade, entre trabalho, estudo, família, distâncias geográficas e alguns desencontros, os meus contactos com as amigas ficam-se por alguns aniversários, um ou outro café ao final do dia e, mais raramente, um almoço ou jantar. Podemos estar dias, semanas ou meses sem nos vermos, mas a amizade mantém-se intacta. E estamos sempre do outro lado do telemóvel ou do computador, umas para as outras.

 

Num grupo de amigas, o normal é serem todas diferentes, e é essa diversidade que dá um sentido e um valor especial à amizade. As amigas não se substituem umas às outras, todas são únicas e insubstituíveis. Há a amiga alegre e sempre bem-disposta, a romântica e sonhadora, a resmungona e reivindicativa, a tímida e intelectual, a calma e ponderada, a decidida e corajosa… Devido às suas várias personalidades, as amigas completam-se e aprendem a aceitar e apreciar as diferenças. Também é por causa disto que se a Rita precisa escolher um vestido novo fala com a amiga Sara, se quer desabafar sobre um desgosto de amor liga à Sofia, chama a Helena para a ajudar a resolver o problema com o carro, convida a Maria para um café fora de horas ou a vai a casa da Luísa para, simplesmente, conversar.

 

No meu caso, apesar de não conseguir estar com as amigas as vezes que gostaria e com a disponibilidade que estas merecem, uma coisa posso garantir: sei que cada uma faz e fará sempre parte da minha vida. Sim, acredito que a amizade verdadeira é das poucas coisas que é mesmo para sempre. E por esta razão, sinto que é mais difícil superar uma desilusão causada por um amigo do que o mais doloroso desgosto de amor. Mas isso daria uma outra crónica...

Eu acho que
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