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Gabriel Leite Mota

Gabriel Leite Mota é investigador e docente universitário doutorado em Economia da Felicidade

Excerto

Com a chuva vêm as infiltrações nas paredes e nas janelas, vêm as inundações, vêm os despistes automóveis e os engarrafamentos. Vêm as esperas molhadas nas paragens dos autocarros. Ficam as crianças encharcadas nas idas para escola. Formam-se as poças nas estradas e partem-se os guarda-chuvas (que, revirados pelo vento, mostram ao transeunte que o seu destino é ficar molhado, pois que a chuva é quem mais ordena). Com a chuva, a sina é ficar confinado aos espaços fechados.

DR

Crónica

Chuva, para que te quero?

No meio de tudo isto, veio-me parar às mãos um vídeo de uma criança extasiada com a descoberta da chuva. Uma coisa eu sei, a criança não é do Porto

Texto de Gabriel Leite Mota • 11/02/2014 - 16:29

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Não gosto de chuva. Não vivo num país tropical onde a chuva grossa e passageira vem arrefecer o ar insuportável. E nem sequer vivo no Sul do país onde a chuva é invernal e passageira. Vivo no Porto. E no Porto chove. Chove muito. De Outubro a Maio. Às vezes em Junho e em Setembro. Em Portugal, talvez só no Gerês e em Viana do Castelo chova mais do que no Porto. Enfim, chove demais. E com a chuva, nada feito: nada de esplanadas, nada de desportos ao ar livre (só o surf e a corrida se safam), nada de passeios domingueiros pela baixa a ver as montras. Nada de janelas abertas, nem nada de ver o sol ou a lua. Só água a cair, abundante e continuamente.

 

Com a chuva vêm as infiltrações nas paredes e nas janelas, vêm as inundações, vêm os despistes automóveis e os engarrafamentos. Vêm as esperas molhadas nas paragens dos autocarros. Ficam as crianças encharcadas nas idas para a escola. Formam-se as poças nas estradas e partem-se os guarda-chuvas (que, revirados pelo vento, mostram ao transeunte que o seu destino é ficar molhado, pois que a chuva é quem mais ordena). Com a chuva, a sina é ficar confinado aos espaços fechados.

 

E em Portugal quase não neva. Nem para isso a chuva nos serve. Se cá nevasse, fazia-se cá ski (como diziam os “Salada de Frutas”) e a Serra da Estrela, coitada, não é mais que uma caricatura de montanha invernal. No Porto? Nunca neva… Só chuva, vento e uma sensação desagradável de humidade na pele e nos ossos.

 

Bem sei que a chuva é fundamental para o ecossistema e para a agricultura. E que a seca é terrível. Mas às vezes penso, porque não cai a chuva com a delicadeza com que o céu a acolheu? Todos os dias os oceanos e os rios fornecem águas aos céus sem balbúrdia nem alarido. Os céus (que devem ter mau feitio) acumulam-na em lindas nuvens mas, depois, devolvem-na à terra com uma fúria inusitada. E como se não bastasse a chuva (com a qual já estou conformado) nestes últimos tempos temos levado com cargas de água corridas a rajadas ciclónicas que, além de desagradáveis, até assustam um pouco...

 

No meio de tudo isto, veio-me parar às mãos um vídeo de uma criança extasiada com a descoberta da chuva (e é certo que outros já dançaram e cantaram, alegremente, à chuva). Uma coisa eu sei, a criança não é do Porto. Mas mesmo que fosse, tinha o direito de gostar da chuva (talvez alguns tripeiros achem que a chuva dá um certo estilo à Invicta). Eu adoro o Porto (já o expressei aqui), mas é por outras razões. Quanto à chuva, é apena água que cai. Se a uns traz alegria, a mim traz-me, apenas, aborrecimento…

Eu acho que
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