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Miguel Ponte

Miguel Ponte é estudante de Ciências Farmacêuticas. No laboratório, mistura Teatro e escrita em tubos de ensaios. E depois agita

Excerto

Percebes agora que devias ter investido naquilo que és, e no qual és mesmo bom. Naquilo que te absorve 25 horas por dia, se necessário, e te pareceram dez minutos. Gastaste recursos, humanos e financeiros, os teus pais, a tua sanidade, o teu tempo. E andaste aos ziguezagues para chegar aqui

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Crónica

Geração ziguezague

Ou também se podia chamar geração “curva e contra-curva”. Eu faço parte deste movimento demográfico. Tu, provavelmente, também

Texto de Miguel Ponte • 31/01/2014 - 12:53

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Geração ziguezague. Ou também se podia chamar geração “curva e contra-­curva”. Eu faço parte deste movimento demográfico. Tu, provavelmente, também.

 

Começaste a gatinhar e a perseguir os teus sonhos. Primeiros os mais terrenos e palpáveis: a mama da mamã, o brinquedo, montar uma bicicleta. Mais tarde, quiseste ser bombeiro, bailarina, actor, polícia. A pergunta chegava-te de várias frentes, mas sempre igual, “que queres ser quando fores grande?”. O sonho, esse, era encorajado, motivado e admirado. Que bom, já sabe o que quer da vida!

 

É mais tarde que dás a primeira curva. Percebes que o teu sonho é, provavelmente, apenas isso. Afinal, a direcção é outra. Afinal o importante é um curso. Precisas d’“O canudo”, como eles dizem. Daqueles reconhecidos que não provocam pena alheia nos jantares de família. Deves seguir um percurso académico de excelência e guardar os teus “hobbies” e paixões numa caixinha de sapatos debaixo da cama, para abrir uma ou outra vez por semana, à noite. Isso sim, é a vida, o teu futuro e a tua responsabilidade. Estudar, obter “O canudo”, arranjar uns estágios, um emprego seguro e constituir família aos trinta.

 

A parte curiosa é a terceira curva. Já tarde (demais, talvez), vês as tuas expectativas furadas. Afinal “O canudo” é apenas um canudo. Os estágios, atentados à dignidade laboral. A família? Nem vê-la. Só a tua, quando fores morar de novo com os teus pais. O emprego seguro é, afinal, um sonho, e a única coisa de que tens a certeza é de que o teu sonho nunca te pareceu tão presente.

 

Percebes agora que devias ter investido naquilo que és, e no qual és mesmo bom. Naquilo que te absorve 25 horas por dia, se necessário, e te pareceram dez minutos. Gastaste recursos, humanos e financeiros, os teus pais, a tua sanidade, o teu tempo. E andaste aos ziguezagues para chegar aqui.

 

É cruel, mas é verdade: mais valia ter ido em frente, logo desde início.

Eu acho que
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