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Josephine Landertinger é realizadora e vive em Berlim

Josephine Landertinger é realizadora e vive em Berlim

O excerto

Josephine Landertinger Forero, que nasceu no Porto, está a desenvolver um documentário sobre esta questão, apoiada pelo Instituto de Cinema da Colômbia. Aos 65 anos, Lilia viveu mais tempo fora de seu país natal que na Colômbia. Como uma pioneira da globalização massiva dos anos 70, ela pergunta-se agora sobre qual será o seu destino final depois de ter vivido em oito países. Entende que envelhecer num mundo globalizado significa lidar com a solidão. Como é envelhecer numa sociedade cheia de "globetrotters"? Quem é a família ? Onde e o que é “casa”? Como documentarista e filha de Lilia, estas perguntas levam a Josephine Landertinger Forero numa viagem com a câmara de Berlim a Portugal e à Colômbia.

DR

Crónica

Geração Perdida: reflexão de uma filha de pais “globetrotters”

Eu pertenço a uma geração móvel que não vai voltar à "sua aldeia” quando for velha, simplesmente porque essa “aldeia” não existe

Texto de Josephine Landertinger Forero • 18/12/2013 - 19:12

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Na cidade onde moro há pessoas de 190 nações de todo do mundo. Nesta cidade, a migração sente-se, vive-se e discute-se. Eu vivo em Berlim onde quase cada segundo habitante é estrangeiro ou de pais estrangeiros. Aqui, eu sinto-me em casa rodeada por pessoas que não sabem bem de onde vêm realmente.

 

Sim, não sabemos de onde vimos. O escritor português Eça de Queirós descreve bem este sentimento num texto, onde explica que, ao assimilar varias culturas, vão-se introduzindo novas formas de pensar e sentir no organismo moral e o patriotismo “dilui-se em estrangeirismo”. "Rue de Rivoli, Calle d' Alcala, Regent Street. Wilhelmstraße – que lhe importa? Todas são ruas". Somos tudo e ao ser tudo, não somos nada. É este presente, este "status quo" de almas perdidas, que me faz pensar sobre o futuro.

 

De acordo com os mais recentes estudos das Nações Unidas, somos 232 milhões de migrantes no mundo. Obviamente, a migração tem muitas faces. É nacional ou internacional, individual ou familiar, voluntária ou forçada. Mas todos nós temos algo em comum: deixamos para trás um ambiente familiar para enfrentar algo novo e lidamos sempre com a questão de ter de localizar as nossas raízes.

 

A última pergunta é talvez a mais difícil da minha geração. No outro dia, conheci um informático australiano. Ele disse: "A minha namorada é das Ilhas Faroé, mas estuda em Copenhaga. Eu sou da Austrália e estou a trabalhar em Berlim. Em poucos meses, ela vai terminar o mestrado e não sabemos para onde vamos depois. Não sei se eu quero ficar por aqui."

 

Numa sociedade onde a cada segundo duas pessoas festejam os seus 60 anos e onde mais e mais famílias vivem espalhadas por vários países ou continentes, eu pergunto-me como vamos envelhecer. Eu pertenço a uma geração móvel que não vai voltar à "sua aldeia” quando for velha, simplesmente porque essa “aldeia” não existe. A nossa casa é o mundo! E esse é o grande conflito da minha geração global. Se não sabes de onde vens, como vais saber para onde vais? Como escolher onde queres envelhecer?

 

A vida de “globetrotter” pode ter um final solitário como provam os meus pais. O meu pai, um diplomata austríaco, morreu depois de viver na Tailândia, na Índia, no Lesoto, no Chile, na Argentina, na Colômbia, nos Estados Unidos e em Portugal (de certeza de que me esqueci de algum país...). No final dos seus dias, eu lembro-me de um senhor isolado, olhando para o infinito pela janela do seu último apartamento.

 

A minha mãe, uma colombiana que vive em Portugal, sente-se perdida na idade. E ela está sozinha. Educou aos seus filhos de maneira "moderna " para que sigam essa vida "global". A forma como envelhecem os meus pais pode ser uma premonição para toda a minha geração. Nesta temporada natalícia, vale a pena refletir sobre esse nosso estilo de vida.

Eu acho que
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