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Kacper Pempel /Reuters

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A frase

"Eu tento acima de tudo ser uma figura política normal, como qualquer outra pessoa, mas talvez ainda melhor. Estou realmente a tentar pois assim as pessoas que me observam saberão que os indivíduos transgénero não são piores do que nenhum outro membro da sociedade em nenhum aspecto"
Anna Grodzka, citada pelo "Huffington Post"

Peter Andrews/Reuters

Polónia

Anna Grodzka, a primeira deputada transexual da Europa

Ela é o símbolo de mudança na cena política polaca, tradicionalmente conservadora e católica. Anna Grodzka, 58 anos, deputada pelo Movimento Palikot, conquistou o eleitorado jovem e quer fazer da Polónia um país mais tolerante

Texto de Andréia Azevedo Soares • 12/02/2013 - 18:58

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Há duas formas de descrever Anna Grodzka, uma polaca de 58 anos que, em 2011, tornou-se a primeira deputada transexual da história política europeia. A nossa atenção pode concentrar-se em curiosidades como o facto de, antes de mudar de sexo, Anna ter tido uma outra vida com direito a uma barba espessa, uma esposa e um filho.

 

Mas, se quisermos fugir ao "fait divers", podemos falar do que realmente faz de Grodzka uma figura interessante: ela é um sinal de mudança na cena política da Polónia, um país tradicionalmente marcado por um discurso conservador e católico.

 

Muita coisa mudou na Polónia desde a queda do comunismo em 1989. Houve a morte do Papa João Paulo II e a entrada para a União Europeia, por exemplo. Temas polémicos são hoje debatidos abertamente. Há resistência, mas há debate. Um exemplo disso é a questão do financiamento estatal da fertilização "in vitro".

 

Outro exemplo: a voz das minorias sexuais faz-se cada vez mais ouvir na arena política: a união civil entre pessoas do mesmo sexo foi votada - e chumbada, é certo - no mês passado em Varsóvia. Todas essas mudanças graduais mostram que o facto de Anna Grodzka ter conquistado uma cadeira no parlamento é apenas uma peça do puzzle de transformações sociais.

 

Um partido que conquistou os jovens

Anna Grodzka obteve cerca de vinte mil votos dos eleitores na conservadora Cracóvia. O partido do qual faz parte, o Movimento Palikot, é hoje a terceira maior força política. De matriz esquerdista e anticlerical, o Palikot inscreveu na agenda nacional temas controversos como a legalização do aborto, do casamento entre pessoas do mesmo sexo e do consumo de marijuana. Analistas políticos atribuem a pujança do Palikot ao facto de os braços políticos da Igreja Católica não mais conseguirem abraçar os jovens eleitores. Criou-se ali um vazio. E o Palikot conseguiu tocar na corda sensível dessa fatia do eleitorado.

 

A relativa popularidade do Movimento Palikot não quer dizer que a Polónia seja um paraíso de tolerância. O escritório de Grodzka chegou a ser atacado: atiraram objectos contra as janelas, rasgaram as bandeiras coloridas que se tornaram símbolo da luta pelos direitos das minorias sexuais. A simples existência de um partido com uma agenda como a do Palikot mostra que, para já, a orientação sexual de um indivíduo continua a ser motivo de tensões sociais e políticas.

 

Recentemente, dia 8 de Fevereiro, Anna Grodzka foi novamente notícia por ter sido impedida de chegar à vice-presidência da câmara baixa do parlamento polaco (o chamado Sejm). Uma ampla marioria dos principais partidos políticos boicotou as ambições de Grodzka. Para o efeito, invocaram que deputada - uma antiga empresária licenciada em Psicologia - não estaria suficientemente preparada para o cargo.

 

"Alegra-me que a minha candidatura tenha sido considerada uma provocação. O meu objectivo foi sempre o de lutar para que todas as pessoas sejam tratadas da mesma maneira", afirmou Anna Grodzka, citada no "El Mundo".

 

Anna Grodzka passou mais de meio século a sentir que nasceu dentro do corpo errado. Em 2010, submeteu-se a uma cirurgia de mudança de sexo numa clínica na Tailândia. Antes de desfazer aquilo que considerava um equívoco, Anna chamava-se Krzysztof Begowski, tinha uma mulher e um filho. Ao contrário da mãe, o jovem compreendeu e apoiou o desejo de Krzysztof transformar-se em Anna. Afinal, o rapaz faz parte de uma nova geração que está a lentamente mudar a imagem da Polónia.

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