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Crónica

“Bustial!”

Para mim, Ronaldo será sempre o rapaz do aparelho dos dentes

Texto de Tino de Rans • 31/03/2017 - 16:51

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Ano 2000. Viragem de século e milénio. Vejo muita gente no camarim das "Noites Marcianas", lembram-se? Figuras de todas as vertentes da sociedade: Rosa Lobato Faria, Raul Solnado, Eduardo Prado Coelho, Carlos Cruz, Júlia Pinheiro, Rita Blanco… Apeteceu-me descer a rua. Estava no Lumiar, numa noite de calor, e apeteceu-me uma cerveja. Entro na churrasqueira Verde e Branca, em pleno estádio José Alvalade e pedi, à boa maneira do Norte, um fino. Atrás de mim, logo ecoou: Tino, Tino, Tino.

 

Um grupo de jovens aborda-me para me pedir autógrafos. Nenhum de Lisboa. Um deles, com algo nos dentes. Recordo-me bem porque foi o primeiro aparelho que vi. Nos meses que se seguiram, foram muitas as vezes em que a produção do programa me telefonava a alertar que estava na hora de entrar no ar. Perdia-me no tempo a conversar com aqueles jovens que um dia sonhavam levantar as bancadas dos estádios de futebol por esse mundo fora. O Sporting estava longe de ter a Academia de Alvalade.

 

Andei por aí até que um dia decidi fazer um hino para a Selecção Nacional. O "Portugal, Portugal". E não é que volto a encontrar aquele rapaz do aparelho nos dentes? Por estes dias voltei a encontrar o menino que se fez homem e voou. Voou tão alto que se tornou no melhor do mundo e deu nome ao aeroporto da terra-natal. O rapaz do aparelho nos dentes, o mesmo que comia o bife com as batatas fritas e bebia, não me lembro ao certo se era Pepsi ou Coca-Cola. O miúdo sentado ao meu lado, enquanto eu bebia o meu fino e me esquecia das horas para entrar no ar. Estávamos os dois no habitat natural. Dois homens do povo.

 

Um dia, também eu tentava outros voos para, em vez de Marcelo, ser eu a descerrar placas, e num debate, olhando para o relógio, reparei que a minha posse de bola era menor do que a dos meus adversários. Reclamei junto do Carlos Daniel e do Vítor Gonçalves, qual jogador indignado dirigindo-se aos árbitros, perguntando como queriam que fosse o homem do jogo se não me passavam a bola?

 

Um dia antes, Lionel Messi tinha ganho a Bola de Ouro do ano 2015. E eu, falhei um golo de baliza aberta, ao dizer que o argentino era o melhor do mundo. A Madeira castigou-me com o meu pior resultado nas presidenciais. Fui mal-entendido porque disse a verdade. Messi era, realmente, o melhor do mundo, porque tinha ganho o prémio naquele ano. Ronaldo até pode mandar umas bolas ao poste, de vez em quando, que para mim vai ser o melhor de sempre. Não apenas o melhor de 2015. Mas, muito mais do que o melhor de sempre, Ronaldo será sempre, para mim, o rapaz do aparelho dos dentes.

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