A democracia distópica de Vladimir Putin

autoria Ana Marques Maia

// data 28/02/2017 - 12:39

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O fotógrafo Alexander Anufriev vê a Rússia como um Estado distópico em potência. "A censura faz com que todos temam as consequências [da liberdade de expressão]", explicou ao P3. "As galerias de arte evitam expôr arte de carácter político. Os meios de comunicação independentes estão em risco de encerramento e os meios pró-Governo desinformam para cumprir uma agenda. A imagem da realidade que é fornecida pela TV é diametralmente oposta à que é observável empiricamente. Por vezes, tenho a sensação de que nos tentam convencer que dois mais dois são cinco." A série fotográfica que desenvolve desde o início de 2016, intitulada "Russia Close-Up" reflecte os tempos que se vivem na Federação Russa. "As instituições de cariz democrático mantêm-se, mas a sua influência sobre o poder político é praticamente nula. Existe apenas um partido político — aquele que governa e que é liderado por um grupo pequeno de pessoas. Existem outros partidos apenas para que se mantenha a ilusão de uma vida política saudável e para legitimar o processo eleitoral." Entre 2011 e 2013 houve um despertar da consciência popular que foi mitigado pelas autoridades, motivo pelo qual actualmente se vive "um momento de absoluta apatia política". "As pessoas preferem emigrar a lutar pela mudança", refere o fotógrafo em entrevista ao P3, remetendo para números relativos à emigração: em 2010, 35 mil pessoas abandonaram o país; em 2015, 350 mil. "Não gosto do que se passa no meu país. Este projecto é uma forma de dizer que dois mais dois continuam a ser quatro." Apesar de tudo, o fotógrafo não sente que existam restrições à sua criação artística. "Ainda consigo trabalhar e falar daquilo que faço e por esse motivo não sinto que viva num regime ditatorial tradicional. Mas acredito que estamos muito próximos disso." O trabalho de Anufiev foi distinguido pelo concurso Exposure 2017 da publicação especializada em Fotografia Lens Cuture.

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