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Ruben Vieira é estudante de Ciências da Comunicação

Ruben Vieira é estudante de Ciências da Comunicação: Jornalismo, Assessoria, Multimédia na Universidade do Porto

Excerto

Não é a primeira, nem a segunda vez, que chego ao meu Facebook e deparo com partilhas completamente desnecessárias de informação. E não, não estou a falar de jogos de futebol, notícias cor-de-rosa ou tutoriais sobre como aplicar maquilhagem, refiro-me à vida pessoal dos meus amigos

Robert Galbraith/Reuters

Crónica

No mundo Facebookiano gostos representam popularidade

E o que leva as pessoas a partilharem pormenores tão íntimos e desinteressantes da sua vida? Gostos, muitos gostos

Texto de Rúben Vieira • 24/01/2013 - 17:35

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Gosto disto. No passado, esta expressão servia para demonstrarmos a nossa aprovação em relação a alguma coisa. Atualmente, é apenas um indicador do nosso estatuto social. Sim, estou a falar do Facebook. Aquele local belo e singelo onde toda a gente exprime o que lhe vai na alma e, por vezes, até mais do que isso.

 

Não é a primeira, nem a segunda vez, que chego ao meu Facebook e deparo com partilhas completamente desnecessárias de informação. E não, não estou a falar de jogos de futebol, notícias cor-de-rosa ou tutoriais sobre como aplicar maquilhagem, refiro-me à vida pessoal dos meus amigos. Um aborrecimento, um enjoo matinal, ou até uma unha partida tornam-se num verdadeiro mote para qualquer estado. E o que leva as pessoas a partilharem pormenores tão íntimos e desinteressantes da sua vida?

 

Gostos, muitos gostos. Sim, porque no mundo Facebookiano gostos representam popularidade. E o ser humano tem uma necessidade inata de popularidade. Para aumentar essa supracitada popularidade, existe o negócio dos gostos. Por exemplo, X põe gosto no estado de Y e Y retribui o gosto num estado de X. Se X tiver sorte, até poderá receber dois gostos de Y. Tudo isto como se de uma moeda virtual se tratasse.

 

Mas o Facebook não é constituído apenas por estados, existem as fotos. Fotos do próprio, fotos dos amigos, fotos dos animais de estimação ou fotos da comida que estão a ingerir, todas fazem parte desta rede social. Não vou dizer que não existem fotos bonitas, porque existem, mas são como pérolas raras no oceano.

 

O céu e o horizonte

A maioria não tem qualquer valor artístico e as que recebem mais gostos são aquelas em que as raparigas mostram quase toda a pele que possuem ou empinam certas e determinadas partes do corpo. Ah! Além dessas, existem outras que também recebem muita atenção por parte dos cibernautas. São umas fotos com um fundo genérico, que possuem uma frase ainda mais genérica, que se adapta a todos os sentimentos alguma vez sentidos. Como, por exemplo, uma foto do céu, em tons sépia, com a frase: "Vivemos todos sob o mesmo céu, mas nem todos temos o mesmo horizonte", que as rapariguinhas de 13 anos, sem qualquer ideia do que querem fazer na vida, partilham até à exaustão.

 

A partilha de coisas através das redes sociais tornou-se um fenómeno digno de ser registado pelos cientistas. Algumas pessoas estão tão obcecadas que chegam a fazer uma, duas, três, cinco ou dez publicações num só dia, com conteúdos que fariam qualquer um de nós, comuns mortais com alguma decência, perder todas as esperanças que possuímos em relação ao futuro do nosso mundo. A curiosidade matou. E não foi só o gato. Foi também o meu interesse por estas pessoas, que partilham todos os pormenores insignificantes da sua vida e, por vezes, também da vida alheia. Não, não quero saber como correu a noite passada na discoteca e muito menos o que se passa na gala da Casa dos Segredos.

 

Tudo isto ainda seria aceitável se estes seres apenas tivessem os amigos do mundo real adicionados, mas as informações provém de indivíduos com quatro mil e tal amigos e, acreditem, nunca os viram mais gordos. Uma grande parte destes coloca gosto num estado dispensável, o que motiva o autor a partilhar cada vez mais a sua vida, num verdadeiro ciclo vicioso.

Eu acho que
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