Luisa apontou o iPhone a 46 mulheres para a Time

autoria Renata Monteiro

// data 18/09/2017 - 17:01

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Frente a frente com “46 mulheres norte-americanas que estão a mudar o mundo”, escolhidas para o projecto multimédia Firsts, da revista Time, Luisa Dörr apontou-lhes um telemóvel. A brasileira, de 28 anos, foi contratada para retratar “algumas das mulheres mais poderosas e influentes do mundo” depois de ter sido descoberta “por acaso”, quando a editora de fotografia da revista navegava pelo feed do Instagram. Kira Pollack, conta a fotógrafa por email ao P3, gostou da “estética” das suas imagens, todas capturadas com iPhone. “Não é possível ter o mesmo resultado com a câmara, eu fotografo diferente, a pessoa reage diferente”, diz a jovem. Com o smartphone, Luisa “movimenta-se mais rápido”, sente-se “mais leve” e isso facilita o processo criativo. “É como se fotografasse com a minha mão”, justifica. Essa velocidade, diz, foi fundamental para este trabalho: algumas das mulheres dispensaram uns meros dois minutos para os retratos. Foi o caso de Aretha Franklin, a primeira mulher a “entrar no Rock and Roll Hall of Fame” e aquela que Luisa estava mais nervosa por fotografar. Em média, a pequena equipa multimédia chegava ao local hora e meia antes da sessão e, nesse espaço de tempo, tinha de procurar um cenário e “a solução antes de cada fotografia”. “Nada estava produzido à espera do meu clique”, diz. Era tudo “feito na hora” e, muitas vezes, longe das condições ideais. “Fotografar com o telefone não significa que seja mais fácil. Precisas de pensar na fotografia da mesma forma, compor e trabalhar com a luz que tens”, defende — “seja ela qual for”. Todas estas mulheres “estão habituadas a serem fotografadas”, mas ficaram “nervosas” e “desconfortáveis” com a ideia de usar algo que, se calhar, até traziam no bolso. “Muitas ficaram chocadas”, comenta, esperavam alguém com mais “experiência, assistentes ou lentes”. “Outras adoraram, acharam cool” e, no final, todas gostaram do resultado, garante. Dos 46 retratos de Firsts, os 12 que compõem esta fotogaleria são capa de edição desta semana da revista norte-americana. E foram todos editados com a aplicação gratuita Snapseed. “Estamos tão acostumados a ver estas mulheres a serem retratadas de uma forma 'poderosa'", prossegue a fotógrafa, que pode chegar a ser difícil sentir inspiração ao ver as imagens. Apenas com um telemóvel a separá-las, Luisa viu “seres humanos e profissionais incríveis”, que passaram por “muitas lutas apenas para consolidarem lentamente um lugar na sociedade”, e deixou-se inspirar pela “energia de luta positiva” que emanavam. Luisa procurou assim captar esta essência com “imagens simples e integrais” que as mostram tal qual como as descobriu. “Gente como a gente, sabe?”

Eu acho que