Quarta, 16 Mai 2012 • 23h29
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Texto de Hugo Torres • 10/02/2012 - 16:07
Um homem complexo e de características contraditórias. É assim que o FBI descreve Steve Jobs, o co-fundador da Apple, num relatório de 1991 e divulgado na quinta-feira.
O “elevado carácter moral e integridade” do falecido empresário, que os documentos registam, esbarra na tendência para “distorcer a realidade com o intuito de atingir os seus objectivos”.
A investigação do FBI foi motivada por uma possível nomeação de Steve Jobs para o Conselho das Exportações norte-americano, durante a administração de George Bush, já depois de ter sido despedido da Apple (e anos antes do seu regresso consagrador à empresa). O resultado foram 191 páginas que traçam o perfil anguloso de um homem de ambição desmesurada.
"Carácter moral suspeito"
A visão e as capacidades empresariais de Steve Jobs nunca são postas em causa. O ícone da indústria não cai com este dossier. Se há algo que o relatório põe em causa é o homem, não o empresário. Nas 29 entrevistas efectuadas pelo FBI encontram-se referências reiteradas ao “indivíduo complexo” e ao “carácter moral suspeito” de Jobs, para usar as palavras de um amigo.
Este é o mesmo entrevistado que caracteriza Jobs como um “bom amigo”, “uma pessoa honesta e digna de confiança. Pelo menos até ter posto a ambição em primeiro plano. Steve Jobs “alineou um grande número de pessoas na Apple como resultado da sua ambição”. Um outro entrevistado sublinha o “indivíduo enganador que não é completamente franco e honesto”.
Descrito como pai negligente (por inicialmente ter repudiado a filha mais velha, Lisa, que mais tarde viria a dar nome a uma das suas criações), Jobs é ainda exposto como alguém que “deturpa e distorce a realidade para alcançar os seus objectivos”. A sua realidade e a dos demais: é o “campo de distorção da realidade” de que falava Bud Tribble em 1981, recuperando uma expressão do "Star Trek" para descrever o capacidade que Jobs tinha para convencer os outros da bondade e validade das suas ideias. Walter Isaacson recuperou esta expressão para a biografia "A estranha vida de Steve Jobs".
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