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Indústrias Criativas

Marta Velho e João Pedro Machado DR

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Localização: Lisboa

Criação: Outubro de 2015

Número de pessoas da equipa: 2

Objectivos para 2016: desenvolver a parte tecnológica da plataforma, ganhar notoriedade e crescer junto do seu público, começar a preparar a primeira internacionalização.

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Farzad Nazifi/Unsplash

Inquérito

begin.media, o "crowdfunding" aplicado ao jornalismo

São dez os projectos portugueses que competem pelos 25 mil euros do Prémio Nacional das Indústrias Criativas. A begin.media é uma plataforma aberta a todos os que queiram publicar conteúdos jornalísticos

Texto de P3 • 09/06/2016 - 12:08

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O vosso projecto é um dos dez finalistas da edição 2016 do PNIC. Como o descreveriam a quem nunca ouviu falar de vocês?

A begin.media é a combinação entre um jornal digital aberto, onde os trabalhos publicados são feitos por todos aqueles que querem ser jornalistas, e uma plataforma de "crowdfunding". A diferença para um jornal online é que pedimos ao público para contribuir, com o valor que quiserem, na criação dos conteúdos, ajudando a suportar os custos que os autores tiveram a produzir cada artigo.

 

Em que é que a vossa empresa difere de outros projectos semelhantes?

A begin.media difere por ser um jornal aberto, isto é, não tem uma redacção própria. São pessoas que, das suas próprias casas, podem produzir e publicar os artigos. E inova na medida em que esses autores são remunerados directamente pelos seus leitores. São os leitores que escolhem os artigos que querem ler e que fazem uma contribuição financeira directamente ao autor de cada artigo.

 

O prémio para o vencedor desta edição são 25 mil euros. Caso vençam, como contam investir o dinheiro?

Até ao momento, a begin.media esteve numa versão beta, a testar o modelo e a tracção potencial que teria junto do público que quer escrever artigos de qualidade e também junto do público que quer ler artigos feitos de uma forma não-convencional. E superou muito as expectativas. Este prémio seria um valente trampolim para a fase seguinte do nosso projecto, uma vez que nos permitirá um melhoramento tecnológico e desenvolver certas funcionalidades que ainda não estão activas.

 

O que faz falta às indústrias criativas portuguesas?

Faz falta mais vontade de arriscar e apostar em coisas diferentes. Os portugueses têm ideias excelentes mas ainda são um pouco conservadores. É difícil deixar o seguro pelo incerto mas muito do sucesso e da inovação acontecem quando não temos medo de dar passos arriscados. Falta também a sociedade evoluir e permitir melhor o "falhar" e o "errar". Há muito pouca tolerância ao erro e um grande apontar do dedo que levam ao medo de falhar.

 

Se o vosso projecto fosse a uma entrevista de emprego e lhe perguntassem onde vai estar em 2020, o que responderiam?

Em 2020, a begin.media estará fortemente implementados em vários países, principalmente no Brasil e nos países anglo-saxónicos, a dar voz a todos os que querem ser jornalistas e querem publicar os seus trabalhos. Prevemos ainda que a begin.media seja a porta de recrutamento por parte de todos os jornais e órgãos de comunicação que procuram os melhores talentos para as suas equipas, e que seja uma fonte de inspiração para as redacções tradicionais virem buscar ideias para investigações mais profundas. O crescimento recente dos pagamentos online e principalmente os micro-pagamentos "mobile" permitirão aos jovens conseguir ter remunerações na economia partilhada em escala, e os sistemas de tradução automática permitirão que um artigo escrito numa região tenha um impacto global. A procura de informação crescente e as batalhas pela sustentabilidade das redacções tradicionais fará com que a begin.media em 2020 possa atingir várias vezes o número de autores do maior jornal nacional. A nossa visão é que há também muitas organizações que precisam regularmente de materiais escritos com qualidade jornalística para diferentes fins. Acreditamos que a begin.media será uma porta para todo esse trabalho freelance de jornalistas.

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