Orienta-te Redes Sociais

Inês Moreira Rato, Mestre em Marketing e Assistente de Marketing e Comunicação no Lift World.

O excerto

Somos mais "multitaskers" do que o eram as pessoas de gerações anteriores. Crescemos num mundo digital e para nós a comunicação decorre sempre em tempo real e é altamente facilitada como não foi em nenhuma outra geração, o que nos permite partilhar experiências, trocar impressões, criar e divulgar conteúdos onde e quando queremos.

Santos "Grim Santo" Gonzalez

Crónica

"Millennials": “Já ninguém vê televisão só a ver!”

Um dia tem 24 horas, mas um "millennial" tem capacidade para fazer coisas que para outras gerações levariam muito mais do que estas 24 horas para estarem concluídas

Texto de Inês Moreira Rato • 05/05/2015 - 21:16

Distribuir

Imprimir

//

A A

Queridos "marketeers" das gerações anteriores: uma vez disse a colegas de trabalho que nos dias que correm “já ninguém vê televisão só a ver” e senti de imediato aquela ideia de choque geracional. Nunca pensei que aquela afirmação fosse tão estranha para alguns porque era uma coisa tão óbvia para mim. Depois disso fui desafiada a fazer um teste online intitulado “How Millennial Are You?”.

 

E, de facto, confirmou-se: sou uma verdadeira millennial! Alguém nascido entre 1982 e 2004 — o termo resulta de obra escrita por William Strauss e Neil Howe chamada "Millennials Rising". A ideia dos meus colegas é a de que a minha geração é muito à frente mas um "millennial" como eu não tem essa perceção e isso fez-me pensar sobre o tema… Existe, de facto, um certo choque geracional, não sei se muito diferente daqueles que existiram em gerações anteriores. Voltando à questão do “já ninguém vê televisão só a ver”, isto aplica-se a praticamente tudo o que acontece no dia-a-dia de um "millennial".

 

Um dia tem 24 horas, mas um "millennial" tem capacidade para fazer coisas que para outras gerações levariam muito mais do que estas 24 horas para estarem concluídas. Acordamos e agarramos imediatamente no iPhone para darmos uma vista de olhos nos principais acontecimentos que decorreram enquanto dormíamos, no Facebook, no Twitter, no Linkedin e no Instagram. Depois de estarmos a par de tudo o que se passa nas redes sociais, vemos as principais capas e títulos dos jornais, vemos o que se passou no whatsapp e ainda jogamos um bocadinho de Candy Crush ou outro jogo que nos esteja a agarrar no momento até “acabarem as vidas”.

 

Como nesta altura, já estamos atrasados, fazemos toda a rotina diária a correr e vamos a comer pelo caminho porque já não há tempo para um pequeno-almoço à mesa. Com tudo isto já estamos altamente despertos e encaramos o trabalho com a seriedade de qualquer pessoa de outra geração. A verdade é que ficamos surpreendidos quando alguém não percebe porque é que, nos dias de hoje, “já ninguém vê televisão só a ver”. Para nós, é intuitivo fazer várias coisas ao mesmo tempo e eu acho que isto tem o seu lado positivo.

 

"Multitaskers"

Somos mais "multitaskers" do que o eram as pessoas de gerações anteriores. Crescemos num mundo digital e para nós a comunicação decorre sempre em tempo real e é altamente facilitada como não foi em nenhuma outra geração, o que nos permite partilhar experiências, trocar impressões, criar e divulgar conteúdos onde e quando queremos.

 

A nossa pirâmide de Maslow tem uma hierarquia peculiar: ter bateria e "wi-fi" no iPhone tornaram-se necessidades tão básicas como a alimentação e por isso quando entramos num restaurante ou café a primeira coisa que fazemos é pedir a "password" da internet.

 

Somos informados, estamos sempre “em cima do acontecimento” e somos exigentes. Somos empenhados e queremos sentir-nos desafiados. Queremos ter um papel ativo em tudo o que nos envolvemos e queremos sempre “mais” e “melhor”. Somos também “easily bored” e por isso só nos entusiasmamos com algo verdadeiramente inovador e disruptivo.

 

Se não vemos televisão só a ver e se o nosso foco está disperso por inúmeras atividades, não é fácil despertar a nossa atenção e curiosidade e, por isso, enquanto consumidores, somos um "target" difícil de gerir. O que esperamos das marcas não é que estas nos comuniquem os seus novos produtos ou serviços.

 

Queremos que as marcas sejam capazes de nos envolver, queremos que sejam capazes de despertar emoções, queremos que nos dêem a oportunidade de experimentar gratuitamente os seus novos produtos e serviços porque somos pouco sensíveis à publicidade, queremos um "storytelling" que nos prenda a atenção, queremos que nos façam parar tudo o que estávamos a fazer para lhes dedicarmos a atenção que merecem.

 

Queremos que sejam capazes de estar onde nós estamos e de dizer aquilo que queremos ouvir. Não é fácil e por isso é que hoje são poucas as marcas que realmente nos fazem olhar para elas com olhos de ver. Aquilo que nos define não é o facto de vermos televisão só a ver, mas sim o facto de que é preciso muita criatividade, não só para captar a nossa atenção, mas acima de tudo para nos manter interessados. Aqui fica uma dica para todos os "marketeers" das gerações anteriores. 

Eu acho que
P3 now speaks English. See our galleries

Audio

Laura quer que as pessoas entrem no atelier dos artistas "com um clique"

Entrevista

Plataforma de denúncia de emprego precário e ilegal Ganhem Vergonha reuniu quatro anos de abuso num livro. Já há “mais consciência” e “discussão pública” — mas...

Salvador, o vencedor do Festival da...

Ilustração // A euforia começou por ser portuguesa: Salvador Sobral interpretou a canção que...