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Nelson Nunes

Nelson é escritor disfarçado de jornalista armado em investigador

Excerto

Confesso que sou um "stalker" de mim mesmo. Procuro saber o que é ou não apreciado no que escrevo. Vejo o que comentam, o que partilham, o que opinam. Acredito que só assim se aprende qualquer coisinha. E tenho vindo a aprender muito – não apenas sobre os disparates que, uma vez por outra, me saem da caneta, mas também sobre o que somos enquanto comunidade e o caminho que pretendemos (ou parecemos pretender) fazer.

P3

Crónica

O que eu tenho aprendido a escrever no P3

Indiscutivelmente, escrever no P3 mudou a minha vida. Espero que, numa escala diferente - e por muito pequena que seja, também tenha mudado alguma coisa na tua

Texto de Nelson Nunes • 24/11/2014 - 18:48

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Em Maio de 2013, saiu a minha primeira crónica no P3. Desde há ano e meio para cá, mais ou menos semanalmente, há um texto novo. Uma observação, um pensamento, uma pretensiosa ideia, qualquer coisa munida de um sonho tonto de que vamos mudar o mundo – o de alguém ou o de todos – com umas míseras palavras. Não sei se mudei a vida de alguém, mas o meio milhão de leitores já me mudou a minha, garantidamente. 

 

Confesso que sou um "stalker" de mim mesmo. Procuro saber o que é ou não apreciado no que escrevo. Vejo o que comentam, o que partilham, o que opinam. Acredito que só assim se aprende qualquer coisinha. E tenho vindo a aprender muito – não apenas sobre os disparates que, uma vez por outra, me saem da caneta, mas também sobre o que somos enquanto comunidade e o caminho que pretendemos (ou parecemos pretender) fazer. 

 

Escrever no P3 abriu-me uma estranha porta. Não que tenham nascido oportunidades de ir para aqui ou para ali, mas, acima de tudo, houve histórias que me tocaram à campainha. Pessoas viram em mim uma espécie de confessor a quem podiam confiar isto ou aquilo que vai marcando os dias correntes das suas vidas. Não pode haver maior lisonja que esta. Graças às crónicas do P3, fiz coisas que, de outra forma, talvez não tivessem acontecido. Entrevistei um jornalista-espião, trouxe de volta à pequena ribalta um ícone televisivo dos anos 90, almocei e bebi um copo de fim de tarde com músicos que muito admiro. Além disso, vi viver. Com uma atenção que nunca antes havia tido. 

 

Dei-me conta de que as estórias mais apreciadas são aquelas que se prendem com assuntos do coração e também aqueloutras em que a crítica faz o tom: andaremos, de facto, sedentos de emoções-limite? 

 

Aprendi também a ler caixas de comentários com outra espécie de atenção. A tendência é esta: os elogios públicos raramente têm mais de cinco ou dez palavras. Os insultos, esses, são mais divertidos, morosos e altamente criativos – a não ser quando os leitores lêem, verdadeiramente, os textos. Nesses casos, o insulto transforma-se em desejável e saudável discórdia. Existe, no entanto, muito boa gente. Gente que não se coíbe de enviar uma mensagem em privado, apenas como forma de partilha e/ou agradecimento por este ou aquele texto. Os insultos são criativos e espampanantes; os carinhos são discretos.

 

Indiscutivelmente, escrever no P3 mudou a minha vida. Espero que, numa escala diferente - e por muito pequena que seja, também tenha mudado alguma coisa na tua. Porque nunca nada nasceu da individualização; as construções são frutos das cooperações. Conversem.

 

E venham mais anos e meios.

Eu acho que
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