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Susana Almeida Ribeiro, ex-jornalista do Público, emigrante e mãe

Susana Almeida Ribeiro, ex-jornalista do Público, emigrante e mãe

O excerto

Que as pessoas "twittem" enquanto se casam e "facebooquem" enquanto dão à luz é lá com elas. Mas se eu estivesse numa carruagem e chegasse um homem armado, gostaria que pelo menos um dos meus companheiros de viagem estivesse atento e me alertasse do perigo. Chamem-me picuinhas mas tenho para mim que os hominídeos não teriam chegado a "homo sapiens" com as perigosas distrações do Facebook.

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Crónica

Pragas modernas

Pior do que enxames de moscas e sarças de fogo é ficar sem ir ao Facebook durante dez minutos

Texto de Susana Almeida Ribeiro • 25/02/2014 - 16:55

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Deus castigou o Antigo Egipto com pragas de piolhos e gafanhotos porque na altura isso era o pior que podia acontecer a um humano. Se fosse hoje, Deus teria de recorrer a outro tipo de expedientes para castigar os povos. Com bicharada bíblica pode a malta bem, desde que continue a ter "wi-fi". Pior do que enxames de moscas e sarças de fogo é ficar sem ir ao Facebook durante dez minutos. Pode algum amigo fanfarrão tirar uma fotografia dos pés a apontar para a praia do Guincho e um gajo não dar conta.

 

Neste século XXI, o Criador precisa de se actualizar na arte de eficazmente punir o seu rebanho. Seguem algumas ideias, à consideração do Altíssimo: uma valente palmada invisível a todos os pré-adolescentes que partilhem mais de três "selfies" por dia; 24 horas sem acesso a redes sociais para os que estão no cinema agarrados aos iPhones; a substituição do "smartphone" por um "dumbphone" para aqueles que não conseguem aguentar uma refeição sem teclar...

 

Na eventualidade de isto se transformar num movimento, já tenho slogan: "Quem liga, desliga-se". Como já cantavam os Deolinda em 2010: "Anda/ Desliga o cabo/ Que liga a vida/ A esse jogo/ Joga comigo/ Um jogo novo/ Com duas vidas/ Um contra o outro".

 

Vem isto a propósito do recente anúncio de uma conhecida marca de refrigerantes cujo nome começa por C e acaba em oca-Cola e que, ironicamente, anda em roda livre pelas redes sociais. A ironia faz-me lembrar um "cartoon" humorístico que vi quando era mais jovem: um pai e um filho, abraçados, a ver um pôr-do-sol na televisão. Imediatamente ao lado - mas fora do ângulo de visão de ambos -, a janela da sala transmitia em directo o mesmíssimo fenómeno, sem a mediação de um écrã.

 

Bom, mas voltando ao anúncio, a campanha propõe uma solução canina para este problema tão humano: ponha-se um cone em volta do pescoço dos viciosos e eles reaprenderão a viver no "mundo da carne" (é um conceito. Façam pesquisa por "meat world".) Francamente, a mim tanto me dá. Que as pessoas "twittem" enquanto se casam e "facebooquem" enquanto dão à luz é lá com elas. Mas se eu estivesse numa carruagem e chegasse um homem armado, gostaria que pelo menos um dos meus companheiros de viagem estivesse atento e me alertasse do perigo. Chamem-me picuinhas mas tenho para mim que os hominídeos não teriam chegado a "homo sapiens" com as perigosas distrações do Facebook.

 

Finalmente, vêm também estas considerações a propósito de uma recente campanha da UNICEF que lança o seguinte desafio: por cada dez minutos que alguém estiver sem tocar no seu"smartphone", os patrocinadores da iniciativa doarão um dia de água potável a uma criança que não tem acesso a ela. "Mas dez minutos é, tipo, montes de tempo! Eu não entro nisso!", dirão alguns. Não liguem. Sobre essas pessoas deveria ser lançada uma praga de piolhos e gafanhotos.

Eu acho que
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