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Calita Fonseca, mãe, blogger e mais não sei o quê

Calita Fonseca, mãe, blogger e mais não sei o quê

Luís Octávio Costa

Jardim Bordallo Pinheiro

Crónica

A ciência é ficção

Felizmente (ou não) os estudantes de hoje já não esperam nada e por isso não sei como vivem esses anos felizes

Texto de Calita Fonseca • 19/05/2012 - 19:08

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Ao sair do jardim Bordallo Pinheiro, no Museu da Cidade, cruzei-me com vários estudantes que saíam das faculdades ali ao lado e pensei, automaticamente, que eles não faziam ideia que estavam a viver os melhores momentos das suas vidas.

 

Pensei nisso, porque eu própria achava que a faculdade era um meio para atingir a felicidade e não a felicidade em si. E agora, olhando para trás, consigo perceber o quanto fui feliz (e irresponsável e revoltada e, às vezes, inconsciente e utópica e… feliz, portanto). É claro que nós achávamos que terminado o curso superior teríamos um emprego e, logo a seguir ao(s) estágio(s), o merecido sucesso. E muito tiveram-no, o emprego, o sucesso não sei.

 

Felizmente (ou não) os estudantes de hoje já não esperam nada e por isso não sei como vivem esses anos felizes. Sei é que deveriam vivê-los da melhor maneira possível: a aprender, a procurar o que os faz felizes, a não ter medo de errar e voltar atrás, ou continuar noutra direcção. Todo o sucesso que não seja fundamentado neste princípio — o de procurar o que nos faz feliz, lamento muito, não pode ser considerado sucesso.

 

Sim, é a minha opinião e eu sei que as pessoas não se importam que os jornalistas vendam sapatos ou pães com chouriço mas que se livrem de dar uma opinião, só que acontece de também as termos, opiniões, e diz que em democracia se pode fazê-lo: opinar livre e publicamente.

 

Onde é que eu ia? No sucesso, sim. Então, alguns meses depois dessa visita ao jardim com a bicheza do Bordallo Pinheiro, descobri um artista, Jean Painlevé , que tal como muitos outros (artistas e não só), andou a frequentar cursos, uns atrás dos outros, até descobrir o que o apaixonava. E, senhores, que belo resultado isso deu.

 

Foi na Tate Modern que fiquei de queixo caído com os vídeos de Painlevé e eu nem sou pessoa de me deixar envolver com filmes em museus, porque tal como a maioria das pessoas pareço um boi a olhar para um palácio quando estou frente a frente com a arte contemporânea, mas neste caso particular o nome do projecto - “Sience is Fiction” - prendeu-me imediatamente a atenção.

 

E o meu encantamento com a reprodução dos cavalos marinhos (são os machos que dão à luz em movimentos contorcionistas de rara beleza) levou-me a querer saber mais sobre o artista e descubro, entre várias coisas, que o primeiro contacto com o cinema foi como actor, supostamente até terá tido um papel no famoso Un Chien Andalou de Buñuel, mas o IMDb não o menciona nos créditos. Daí até começar a realizar os seus próprios filmes não demorou muito, tendo sido um dos primeiros realizadores a filmar debaixo de água.

 

(Um aparte: para quem não conhece também pode ser interessante espreitar o projecto da banda americana Yo La Tengo , que criou uma banda sonora, ao vivo, para uma série de oito curtas-metragens de Painlevé.)

 

A par da beleza dos filmes (não é à toa que o cinema de Painlevé é considerado poético e se é um facto que a vida marinha é fértil em sensações oníricas, não me lembro de ficar extasiada com os filmes de Jacques Cousteau), dos poucos que vi pelo menos, não consigo deixar de pensar nessa crença do artista – Science is fiction, porque a ciência parece, muitas vezes, ficção e eu que o diga que tenho um chip no braço para não engravidar.

Eu acho que
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