Marcelo del Pozo/Reuters

Crónica

“BULLying”

As garraiadas académicas, claramente identificadas com a cultura da praxe, provocam sofrimento e stress aos animais de forma absolutamente gratuita

Texto de Luís Monteiro • 05/05/2017 - 17:32

Luís Monteiro
Luís Monteiro é deputado à Assembleia da República eleito pelo BE e estudante de mestrado em Museologia na FLUP

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A expressão “BULLying” ganhou corpo político quando, nas últimas semanas, estudantes do Instituto Politécnico de Viseu se insurgiram contra o abuso das famosas garraiadas académicas.

 

Todos os anos, por altura do segundo semestre do ano lectivo, decorrem as tradicionais festividades estudantis, vulgarmente conhecidas como Queima das Fitas, organizadas por estruturas representativas dos estudantes e, em alguns casos, também por grupos de praxe.

 

No programa de festas destas iniciativas costumam estar incluídas as denominadas garraiadas académicas. Estes eventos, claramente identificados com a cultura da praxe académica, provocam sofrimento e stress aos animais de forma absolutamente gratuita.

 

Os espectáculos, que costumam ter lugar em arenas e recintos tauromáquicos, têm vindo a ser contestados por estudantes e associações de defesa dos direitos dos animais em todo o país. A mero título de exemplo, na Universidade do Porto e no Instituto Superior Politécnico de Viseu, dezenas de estudantes promoveram petições que exigem o fim do apoio financeiro e logístico às garraiadas académicas por parte das associações de estudantes e das entidades públicas.

 

O caminho a percorrer em torno da dignificação dos direitos dos animais, onde encaixa o ideal de uma sociedade onde a violência é caso de estudo apenas para historiadores, apresenta ainda muitos obstáculos. Isso não significa que, nesse percurso, não conquistemos algumas vitórias. E já temos algumas vitórias.

 

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) tem apelado às instituições do ensino superior para que não legitimem, nem promovam, a praxe académica e as suas iniciativas. Nesse sentido, e, por não ser dever do Estado promover espetáculos que violentem o bem-estar animal, entidades públicas ou organizações por elas financiadas não devem sob forma alguma promover garraiadas académicas. Travar este abuso, garantindo que o Instituto Português do Desporto e da Juventude (IPDJ) não fornece qualquer tipo de apoio logístico ou financeiro à promoção, organização ou publicitação de garraiadas académicas, é um pequeno grande passo. Cá estaremos para o dar.

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