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Ser jovem é como viver debaixo de água

autoria Jorge Pérez Higuera

// data 16/09/2015 - 11:04

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São cenas familiares, só que subaquáticas. Ver um jogo de futebol, namorar, ouvir música, tomar o pequeno-almoço. Tudo usos perfeitamente normais para um sofá. O que causa estranheza nestas fotografias de Jorge Pérez Higuera é que tudo acontece no fundo de uma piscina. “A ideia nasceu um pouco como rebeldia contra um exercício que tive que fazer na faculdade”, recorda Jorge, nascido em 1989, ao P3. “Pediram-nos para fotografar a nossa sala de estar e odiei a ideia”. Daí a subverter a premissa do trabalho foi apenas um salto lógico. “Apresentei a minha própria versão, extrapolando para o plano geracional”, ou seja a angústia de ser jovem em tempos de crise. “Hoje em dia não acho que tenha um significado específico”, admite, “é mais a expressão de vários sentimentos: impotência, raiva, frustração”. Jorge diz ter crescido com a ideia de que indo para a faculdade teria um trabalho, “mas a realidade impôs-se” e percebeu que “as velhas maneiras de entender o mundo já não tinham validade”. Para os diferentes momentos retratados teve de pedir a ajuda a alguns amigos para a figuração. “Não sei como os consegui convencer, era Abril e fazia imenso frio, a água devia estar nos 16ºC e estive lá dentro duas horas e meia”, conta. “O mais surpreendente é que ainda hoje são meus amigos”, assegura. Miguel de Azevedo Carvalho

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