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Manuel Rodrigues e Mário Gadanho criaram a Biopremier quando estavam na universidade Enric Vives-Rubio

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Necessidade de capital de risco é uma das grandes dificuldades de empresas da área de biotecnologia, diz Manuel Rodrigues

Números

261 mil
são as receitas esperadas em 2011

2013
ano em que a empresa deve atingir o "break-even"

4 euros
o preço inicial das acções na bolsa de Frankfurt

12
número de pessoas que trabalham na equipa da Biopremier

Rita Baleia

Biotecnologia

Empresa que testa ADN de alimentos chegou à bolsa alemã

Controlo de qualidade apertado gerou oportunidade de negócio para a portuguesa Biopremier, que chega agora à bolsa alemã

Texto de Mariana Correia Pinto • 22/09/2011 - 01:00

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Manuel Rodrigues e Mário Gadanho tiveram, em tempo de crise, a coragem que só um negócio completamente inovador pode assegurar. Criaram a Biopremier, uma empresa de biotecnologia molecular – que trabalha tanto na parte agro-alimentar como na clinico-veterinária – a partir de recursos próprios. Em Portugal são únicos e já chegam agora à bolsa de Frankfurt.

 

A ideia de negócio surgiu em 2003, quando legislação comunitária em segurança alimentar e rotulagem se tornava cada vez mais apertada. No Instituto de Ciência Aplicada e Tecnologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, dois jovens investigadores perceberam a oportunidade que isto significava.

 

A biologia molecular dos alimentos 

“Tratou-se de arranjar uma forma de pôr em prática técnicas que respondessem à legislação criada”, começa Manuel Rodrigues. E Mário Gadanho completa: “Pegamos em tudo o que aprendemos em termos de biologia molecular e aplicamos ao sector alimentar”.

 

A crise não os assustou, mesmo numa área que exige investimento de capital de risco para que seja viável. Sabiam que, em Portugal, mais ninguém fazia o que eles queriam fazer. E isso bastou para que arriscassem.

 

“Por amor à camisola”, garante Manuel Rodrigues: “Numa primeira fase, foi feito com recursos próprios e limitados”. Só em 2007 a empresa deu o salto - a primeira entrada de capital de risco permitiu construir laboratórios adequados ao tipo de trabalho que têm de fazer, aumentar os recursos humanos e o investimento em investigação.

 

Como ciência forense

O que a Biopremier faz é aplicar a genética molecular ao sector alimentar. Noutras palavras: a empresa testa o ADN de alimentos. As análises, a partir do momento em que se consegue extrair ADN, são semelhantes às clássicas análises de material genético: “É muito parecido com o que se faz em ciência forense”, explica Manuel Rodrigues.

 

Do receio inicial surgiu uma empresa que acabou de entrar na bolsa alemã, um dos mercados com controlo mais apertado de segurança. Passo importante para a empresa, conseguido após a acreditação do Instituto Portugues de Acreditação (IPAC) para 25 testes de biologia molecular, sete dos quais únicos na Europa.

 

A entrada no centro da Europa “pode servir como porta giratória para, a partir daí, começar a abranger outros países da UE”, tendo o preço como vantagem competitiva. E, mais tarde, Ásia e América são também um objectivo.

 

Os dados que a Biopremier faculta são úteis para “empresas que querem controlar fornecedores”, que querem ter a certeza de que, quando compram um determinado tipo de peixe estão mesmo a comprar aquilo que lhe vendem e a pagar o preço justo.

 

Neste momento têm já cinco grandes superfícies como clientes, sendo que as marcas brancas também têm interesse neste tipo de serviços.

 

Artigo actualizado às 9h58

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