Orienta-te Redes Sociais
A emigração é uma opção que se vai "segmentando como uma alternativa em tempos d

A emigração é uma corrente que se vai "segmentando como uma alternativa em tempos de crise" @ana2vasco

O número

100 mil
Estima-se que em 2011 cerca de 100 mil pessoas tenham abandonado o país

Crise

Quando os jovens emigram estão a “votar com os pés”

Com uma população cada vez mais envelhecida, a emigração de hoje dificilmente será a "sangria desatada" dos anos 60. Mas 2013 ainda será um ano de gente a sair

Texto de Mariana Correia Pinto • 21/09/2012 - 11:13

Distribuir

Imprimir

//

A A

O rosto fechado e um cartaz que não exige explicações extra: "Vim sozinho, os meus amigos emigraram." No dia 15 de Setembro, a mensagem passeou-se pela manifestação em Lisboa e foi o reflexo do problema de uma geração com cada vez menos oportunidades no país. Uma geração empurrada para fora e dividida - das origens, da família, dos amigos.

 

O problema é real e, analisando o contexto económico actual, a socióloga Margarida Marques não tem dificuldade em prever que a emigração vai continuar e que o “contingente de saídas” irá mesmo acentuar-se no próximo ano.

 

Não é futurologia, é factual. “As pessoas têm de fazer pela vida, quando se vêem confrontadas com situações de sobrevivência têm de agir”, diz a socióloga, que admite que há, neste contexto, um limite para as saídas, imposto pelo envelhecimento cada vez mais acelerado da população (“Os 20% com mais de 65 anos dificilmente saem”).

 

Travada pelo “potencial demográfico muito inferior ao dos anos 60”, a emigração dos dias de hoje dificilmente chegará à “sangria desatada” dessa época, acredita a docente da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

 

Emigração: a alternativa

Não se sabe ao certo quantos portugueses estão a sair do país, para onde e em em que circunstâncias exactas. Sabe-se que a emigração é, cada vez mais, uma corrente que se vai “segmentando como uma alternativa em tempos de crise”, afirma o docente da Universidade do Porto Carlos Gonçalves.

 

Apesar de indicutivelmente mais qualificada do que a emigração dos anos 60, a saída continua a não ser dominada pelos quadros mais qualificados. “O que acontece é que a chamada saída de cérebros é mais impactante e mediática, custa-nos mais no fundo.” A maioria da emigração portuguesa continua a ser entre “pessoas com pouca qualificação” e a “fazer-se dentro da Europa”, acredita Margarida Marques. 

 

Mas a elevada taxa de desemprego entre os licenciados (são menos do que os menos formados, mas o desemprego está a crescer de forma mais rápida) pode empurrar cada vez mais este grupo de jovens para fora do país, admite: “É evidente que há pessoas que saem porque não têm cá o reconhecimento equivalente à sua formação. Um engenheiro a quem oferecem 500 euros cá e decide ir para o Brasil está claramente a votar com os pés.”

 

Esse é o lado doloroso da emigração, o lado de quem sai porque sente que sobra. Margarida Marques chama a atenção para o outro lado da questão: “Muitos emigram porque há um mercado que os chama e seduz e porque têm uma formação que é apetecível em termos de mercado global.”

 

E quem sai regressa um dia? Os dois sociólogos acreditam que sim. “A emigração não é como uma árvore que cria raízes e não tem volta”, diz Margarida. E Carlos Gonçalves corrobora, apesar da dúvida que deixa no ar: “Por intuição, vou percebendo que a maioria deseja voltar. Agora, uma coisa é isso, outra é a realidade.”

Eu acho que

Pub

Prémio Estágios

Na estante de Jorge Santos há uma prateleira unicamente dedicada aos seus cadernos. Não importa se são azuis, vermelhos, com argolas ou agrafos,...

Os burros do João são a vida dele

Perfil // Aos 32 anos, este médico veterinário de Paredes de Coura já viajou por todo o...