Pedro Cunha

Crónica

Metro de Lisboa, uma fábrica de sardinhas enlatadas

Fico confusa se o Metropolitano de Lisboa é um serviço de transportes ou se existe para que os utilizadores se sintam sardinhas enlatadas. O que podemos dizer de bom é que é coerente e constante. Todos os dias presta um serviço vergonhoso

Texto de Joana Paz • 07/12/2017 - 14:49

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Venho por este meio denunciar o serviço considerado público do Metropolitano de Lisboa, um tema que por razões que desconheço não tem visibilidade na comunicação social. É indecente anunciarem o prolongamento das linhas quando o serviço prestado hoje e nos últimos anos é degradante para os utilizadores e para os estrangeiros que visitam o país. Tempos de espera em hora de ponta acima de sete minutos, plataformas e carruagens cheias, uma falta de segurança geral que dá origem a acidentes que causam as sucessivas paragens.

 

Quando estou dentro do metro fico confusa se o Metropolitano de Lisboa é um serviço de transportes ou se existe para que os utilizadores se sintam sardinhas enlatadas. E, em modo sardinha enlatada, penso: "Será que os administradores do metro o utilizam e têm conhecimento do serviço péssimo que prestam?". Ao mesmo tempo, sinto uma fúria pela massa política com os seus motoristas, carros de alta cilindrada e os seus estacionamentos (que, pelo frio que está, imagino que sejam aquecidos); peço desculpa, mas estes motoristas, carros e parques de estacionamento pertencem ao povo, pois é o povo que os paga! Porque não utilizam eles a fantástica rede de transportes públicos que temos? Porque os impostos pagam os carros e os motoristas?

 

Tempo de espera de sete minutos. A plataforma está cheia. Prometo a mim própria que tenho seriamente de considerar levar o carro para o centro de Lisboa. Percebo quem insiste em enfrentar o trânsito de Lisboa; o que não percebo é como existem pessoas com motoristas e carros pagos pelo povo que insistem em desencorajá-las. É irritante ler avisos de “por favor, não leve o carro para o centro de Lisboa”, “estacionamentos na periferia são mais baratos". Mas como é que irão então para o centro trabalhar? Em que transportes? A que horas? Às 11h? Ninguém quer transformar-se numa sardinha enlatada, eu certamente não tenho este desejo.

 

Que fazes da vida? Sou lojista e nos transportes sou sardinha enlatada. Sei que as sardinhas enlatadas estão muito na moda para os turistas, mas não são estas sardinhas. Estas são as sardinhas que o serviço público indecente do Metropolitano de Lisboa origina. Todos os utilizadores do metro que compram o passe todos os meses são espremidos no preço e, para complementar, dentro das carruagens.

 

Nestas alturas tento perceber onde estão os activistas que até há uns dias estavam a defender que a travessia de Tejo deveria ser totalmente pública. Andam de metro, andam de comboio, sabem o que é o serviço público de transportes? Não me parece. Deixem a Fertagus em paz. Tenho amigos que dizem que vão e vêm sentados para Lisboa e que até conseguem ler um livro! Com estas condições, para mim, a Fertagus pode gerir o metro à vontade. 

 

O que podemos dizer de bom do Metropolitano de Lisboa é que é coerente e constante. Todos os dias presta um serviço vergonhoso, todos os dias transforma os portugueses em sardinhas enlatadas, incluindo ao fim-de-semana — a imagem de marca é para manter. Um dia ou outro, lá acontece o pior, por falta de segurança e de vigia; um português magoa-se, ou ainda pior, e ninguém fala acerca disso.

 

Portugal é um país pobre, temos que nos desenrascar com o temos, não nos podemos queixar muito. Mas como podemos ser um país melhor quando ninguém condena um serviço público medíocre e este se mantém durante anos? Quando as pessoas que elegemos são postas em pedestais com regalias e não fazem a mínima ideia do dia-a-dia dos portugueses? Como podem tomar decisões e ajudar o povo quando não fazem parte do povo?

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