Debate

Deve um advogado renovar a carteira como a carta de condução?

Conselho Nacional da Juventude quer que as ordens profissionais exijam a renovação periódica dos títulos profissionais dos inscritos, à semelhança do que acontece com a carta de condução

Texto de Amílcar Correia • 16/11/2017 - 14:12

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O Conselho Nacional da Juventude (CNJ) defende que as ordens profissionais deveriam proceder à renovação periódica dos títulos profissionais dos seus inscritos em moldes semelhantes aos da renovação da carta de condução. Hugo Carvalho, presidente do CNJ, a plataforma que representa organizações nacionais de jovens, não se conforma com o facto de a idade ser quase sempre um factor que desvaloriza um jovem candidato a um emprego ou a uma progressão na carreira (quando ela existe). Aquele organismo pretende apresentar a sugestão às ordens profissionais, disse Hugo Carvalho ao P3, com base no princípio de que qualquer avaliação deve ter por base princípios de qualidade profissional e não apenas a idade. "As ordens devem estar interessadas" nesta discussão, afirma, porque os melhores profissionais correm o risco de serem preteridos apenas porque são mais novos. Um exemplo: alguém que deixa de exercer a função durante um par de anos pode voltar sempre a exercê-la, e em melhores condições, do que alguém que até tem mais aptidões, mas que se inscreveu há menos tempo numa ordem. Veremos.

 

Conciliar juventude e direitos não é uma tarefa fácil. Para os jovens adultos portugueses, há uma série de direitos de difícil concretização. A começar pelo direito ao trabalho e a uma profissão, e que não sejam sinónimo de precariedade, a continuar no direito à igualdade e a terminar no direito à não descriminação. Foi a pensar em forma de “solucionar os entraves no acesso aos direitos” que o Conselho Nacional da Juventude organizou o debate deste sábado, 18 de Novembro, na Casa da Música, no Porto, a partir das 14h30, com o apropriado nome de Futuro Suspenso. Este debate ocupa-se de três temas em concreto: acesso à profissão, habitação e discriminação.

 

O objectivo, diz Hugo Carvalho, é "marcar a agenda". Não se trata da "caricatura do jovem à procura do subsídio", mas da realidade do jovem à procura de um lugar. "Não se trata da luta de uma geração contra outra", prossegue, mas de tentar quebrar a sensação de vida suspensa de uma geração que não tem garantidos direitos como um emprego estável, a possibilidade de formar uma família ou de conseguir um alojamento a preços razoáveis. 

 

No primeiro dos debates participam Alexandra Bento e Pedro Costa Azevedo, em representação das ordens dos Nutricionistas e dos Advogados, Ana Luísa Pereira e Carlos Moreira — e por aqui já veremos uma primeira reacção a esta proposta da CNJ —, pela Federação Académica do Porto e UGT, respectivamente. A deputada Helena Roseta partilha a segunda discussão com Ana Cruz e João Valério, que dão a cara pelo Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana e pelo Conselho Nacional da Juventude, respectivamente, num contexto em que a transformação das cidades portuguesas não é inócua para os estudantes. A progressiva especulação imobiliária também faz as suas vítimas entre os jovens, estudantes ou não, quando um T0 com 15 metros quadrados, no Porto, pode custar 1200 euros de renda mensal, ou um T1, em Lisboa, pode chegar aos 2200 euros por mês. 

 

O terceiro painel, sobre discriminação, junta à mesma mesa Abel Sousa, da associação PELE, Paulo Melo, da Associação de Jovens Empresários, e Telo Fernandes, do projecto True Colours. A sessão de abertura reúne o secretário de Estado da Juventude, João Paulo Rebelo, o presidente do CNJ, Hugo Carvalho, e Catarina Araújo, a vereadora da Juventude e Desporto da Câmara Municipal do Porto. O encerramento está por conta de Fernando Alvim e a entrada é livre. 

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