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Emigração

Quero um emprego. Para onde devo emigrar?

Com o crescimento dos números do desemprego em Portugal, são cada vez mais os jovens que decidem emigrar. Resta é saber escolher para onde, conforme as necessidades dos outros países

Texto de Daniela Neto/JPN • 14/03/2012 - 16:25

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Em Portugal existem um milhão e 244 mil pessoas sem emprego, das quais 108 mil são licenciados. A taxa de desemprego entre os jovens até aos 24 anos ascende aos 35,4%, com o significativo número de mais de 80 mil jovens à procura do primeiro emprego. As expectativas para 2012 não apontam melhorias, com o crescimento previsto do PIB português a rondar os -3%. Face a este cenário, cada vez mais jovens vêem a emigração como uma alternativa.

 

Na hora de emigrar, é fundamental saber o que espera do outro lado e se há ou não futuro na escolha que se faz. As engenharias e os profissionais de saúde, como os enfermeiros, são alguns dos empregos mais procurados a nível mundial.

 

Em Portugal, 20% do total de licenciados corresponde a profissionais de engenharia, uma média muito acima da generalidade internacional. Também os enfermeiros portugueses beneficiam do facto de serem formados num dos poucos países em que os enfermeiros têm formação superior.

 

Europa

O Reino Unido, Suíça e França são os que mais contratam profissionais de saúde portugueses. Recentemente, a Alliance Française fez mesmo uma campanha de recrutamento em Portugal, tendo levado mais de 700 enfermeiros para terras gaulesas. Já se prevê uma nova operação para contratar profissionais e há mesmo escolas de línguas que desenvolveram cursos especialmente desenvolvidos a pensar nos profissionais de saúde.

 

Já no que diz respeito ao Reino Unido, a procura de cursos de inglês tem aumentado substancialmente, com destaque para os que qualificam o detentor do diploma com certificado internacional. Já na Noruega, um dos países com melhor nível de vida da Europa, há lugar para engenheiros e profissionais na área da informática. O único contra é o elevado custo de vida e a grande diferença em termos metereológicos.

 

A Alemanha tem dado que falar nos últimos tempos no que diz respeito à engenharia. No final do último semestre eram mais de 76 mil as vagas para engenheiros. É o caso da cidade de Schwäbisch Hall, perto de Estugarda que tem feito campanha aos engenheiros portugueses para que enviem currículos. A cidade medieval tem um grande lado industrial. Falar português pode ser uma mais valia com a crescente relação das empresas alemãs com Angola e Brasil. Os postos de trabalho a preencher são muitos: dois mil por mês. O ordenado médio ronda os 2700 euros, mas um engenheiro pode chegar a ganhar entre 6 mil e 8 mil. Além disso, a Câmara Municipal oferece emprego ao cônjuge, no caso de ser um casal, e a escola é grátis para as crianças, caso haja filhos.

 

América

Também o Brasil se tem apresentado como uma escolha frequente dos portugueses. A embaixada do Brasil confirma um grande número de vistos passados nos últimos meses. O país é, neste momento, uma das capitais mundiais da arquitectura e da engenharia, com o acolhimento do Mundial de Futebol em 2014 e dos Jogos Olímpicos 2016. Assim, a procura de engenheiros, designers e de arquitectos é muita. A Confederação da Indústria garantiu que o Brasil irá necessitar de 120 mil engenheiros até ao fim de 2012. Estima-se que sejam já 1500 engenheiros em solo brasileiro.

 

A compatibilidade de valências portuguesas com as brasileiras tem ainda alguns contras, mas já existem protocolos da Ordem dos Engenheiros portuguesa com o Brasil. Quanto aos vencimentos no "país irmão", não são necessariamente melhores do que em Portugal. Um engenheiro sem experiência pode auferir entre 900 e 1800 euros e, em progressão de carreira, entre os três mil e 4500 euros.

 

O norte da América é outro dos destinos com necessidades especificas. O Canadá, um dos países com melhor nível de vida do mundo, necessita de profissionais ao nível dos técnicos de saúde, hotelaria, engenheiros e informáticos. O problema é que o visto nem sempre é fácil de obter, uma vez que há alguma selectividade em relação às qualificações das pessoas que pretendem emigrar.

 

Os Estados Unidos são uma boa aposta para os jovens engenheiros e informáticos assim como para os enfermeiros. Apesar da crise mundial, os Estados Unidos continuam a assumir-se como uma das maiores potências do mundo. Não é à toa que lhe chamam a "terra das oportunidades".

 

Também a Colômbia marca a rota da construção e da engenharia. A internacional portuguesa Jerónimo Martins já apostou neste país, o que se afigura como uma porta aberta para os portugueses.

 

Angola

Angola continua a ser um dos destinos mais frequentes e mais pretendidos pelos portugueses. O número de portugueses em Angola passa já os 100 mil, embora, por lei, as empresas angolanas tenham que ter 80% dos recursos humanos de nacionalidade angolana. A preferência vai para os angolanos com curso superior português.

 

Quanto às áreas de estudo, salienta-se a procura de engenheiros (minas, informáticos, telecomunicações, electrotécnicos), gestores comerciais e outros quadros especializados. O país está em grande expansão e há falta de mão de obra especializada. A qualidade de vida é um aspecto a ponderar antes de emigrar para solo africano, uma vez que a segurança é ponto frágil assim como o elevado custo de vida local, apesar das altas remunerações. Os vistos para Angola, contudo, continuam a ser difíceis.

 

China e Austrália

Apesar da grande distância, a China e a Austrália são opções viáveis. A China, apesar de ter uma imensa mão de obra, tem falta de quadros especializados e de gestores. O país continua a registar um grande crescimento e é a maior potência mundial. Falar inglês pode ser solução, mas ser habilitado em mandarim ou cantonês pode garantir mais facilmente emprego ou acrescer o ordenado. A ter em conta estão as grandes diferenças culturais.

 

Já a Austrália procura engenheiros e técnicos de saúde, embora tenha adoptado recentemente políticas de emigração mais restritas. No entanto, o facto de ter como objecto de escolha o nível de qualificação, deixa os portugueses bem colocados relativamente aos países nas imediações da Austrália. O rendimento é ao nível do que se pratica na Europa, mas o custo de vida é bem mais baixo, principalmente no interior, pelo que possibilita alguma poupança.

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