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Tecnologia

Facestore: ver, escolher e pagar (sem sair das redes sociais)

Startup do Porto criou uma solução para comércio electrónico dentro do Facebook. Tem mais de 35 mil clientes em 15 países e venceu o prémio de Startup do Ano para a Universidade do Porto

Texto de Ana Maria Henriques • 08/08/2017 - 17:17

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Se quem faz compras online está nas redes sociais, as marcas também devem estar — e devem possibilitar que as transacções sejam feitas sem se abandonar a plataforma social. Foi com esta premissa em mente que, em 2013, Paulo Solinho Barbosa, Renato Pratas e Bruno Nunes decidiram desenvolver uma aplicação que permitiu a criação de lojas online dentro do Facebook, sem que o cliente precise de abandonar a interface da rede social. Ver o catálogo, escolher e pagar: a transacção é realizada sem nunca ter que abrir um novo site. “Quando arrancámos fomos, mundialmente, a primeira solução de e-commerce dentro das redes sociais”, faz questão de sublinhar Paulo Barbosa, director executivo da Facestore. Quatro anos depois do lançamento do projecto-piloto e com 35 mil clientes em carteira, a Facestore venceu o prémio de Startup do Ano para a Universidade do Porto.

 

“Passou a ser necessário estar no território que os consumidores habitam”, diz o programador e gestor de marketing de 41 anos, para quem tudo aconteceu “num curto espaço de tempo”. De apostarem numa primeira presença em redes sociais, com dúvidas sobre que tipo de conteúdo partilhar ou qual o posicionamento, as marcas passaram a querer promover os seus produtos ou serviços. E vendê-los, claro. “O ecossistema social não estava preparado para uma componente de transacção”, recorda Paulo. O processo de compra e venda “era muito artesanal”, sobretudo através de mensagens privadas, sem garantias para ambas as partes.

 

Depois de 15 anos de trabalho numa outra empresa tecnológica do Porto (a Visual Work) e conhecimentos no desenvolvimento de plataformas de comércio electrónico, criaram uma startup. A equipa de doze pessoas está dividida pelas instalações do Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto (UPTEC) e da Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE). E há ainda mais três pessoas a trabalhar em Manchester onde, desde 2016, a Facestore tem um escritório dedicado às operações internacionais, sobretudo europeias. De acordo com o Relatório Europeu de E-commerce B2C 2016, divulgado pela Associação de Economia Digial (ACEPI), o mercado europeu de comércio electrónico B2C (business to commerce, ou seja, entre empresas e o consumidor final) cresceu 13,3%, atingindo 455,3 mil milhões de euros.

 

Se no início pensavam vender uma solução ideal para pequenos negócios, hoje têm como clientes grandes marcas nacionais e estrangeiras. “Vimos milhares de empresas a nascer com a Facestore, centenas de negócios a fazer muitas vendas com a nossa plataforma”, continua. E viram também muitos negócios pequenos a fechar. O perfil do cliente inverteu-se e empresas de calçado, turismo, cosmética e serviços investiram no e-commerce através da Facestore, que passou a oferecer serviços em vários canais. Ao Facebook acrescentaram outras redes sociais — o Pinterest e o Instagram —, os sites próprios das marcas e a versão adaptada para dispositivos móveis das lojas online. Os preços começam nos 15 euros por mês e podem chegar aos 55.

 

E quem são os clientes da Facestore? Traçar um perfil é difícil, admite Paulo. A lista inclui a marca de calçado ALDO Shoes, cujas vendas online são feitas com recurso a esta solução portuguesa. O mesmo acontece com o Rali de Portugal, que vende bilhetes e merchandising online — sobretudo para o mercado espanhol e francês. Mas também já houve um casal de noivos que optou por abrir uma Facestore para a lista de casamento.

 

A loja online, instalada na página social da marca, é aquilo que os utilizadores vêem. O cerne da Facestore é o backoffice, onde as empresas podem gerir toda a loja online: criação de catálogo de produtos, gestão de encomendas e clientes, criação de campanhas, gestão da política de portes. Estão dos dois lados do negócio: do comerciante, que faz a prova de entrega; e do consumidor final, que usou a plataforma e tem garantias.

 

Dos 35 mil clientes, 5000 já são estrangeiros, de 15 países. “As nossas operações em Portugal registam um volume de negócios com taxas de crescimento de 200%”, revela. “Esperamos, dentro de dois anos, atingir os 10 milhões de euros de facturação.” O plano é abrir novos escritórios já no próximo ano e os Estados Unidos estão na lista, a par da América Latina, e fazer crescer a equipa do Porto com a entrada de mais dez pessoas. Profissionais da área de vendas e marketing são os mais procurados.

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