Empreendedorismo

Três minutos para mostrar que uma ideia pode dar uma empresa

O programa de aceleração de start-ups do Instituto Pedro Nunes vai na oitava edição. As 55 empresas que ali nasceram têm uma taxa de sobrevivência de 89%

Texto de Camilo Soldado • 28/04/2017 - 11:47

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O cronómetro projectado na parede marca três minutos. Na contagem decrescente que se segue, um membro de cada equipa vai tentar convencer a plateia a investir na sua ideia de negócio. Durante esse tempo, cada uma das 10 equipas que participam na oitava edição do Ineo Start, o programa de aceleração do Instituto Pedro Nunes (IPN), procura explicar que problema resolve o seu produto, porque é que a solução nova é melhor que as existentes no mercado e onde estão a criar valor.

 

Este ano, os projectos procuram investimentos iniciais entre os 50 mil e os 750 mil euros. Sentados entre a assistência do “demo day” do Ineo Start, no passado dia 21, em Coimbra, estiveram representantes de potenciais investidores, clientes ou parceiros como a Caixa Capital, Portugal Ventures, Hovione Capital, Faber Ventures, Beta Capital, Busy Angels, Sonae IM e Ganexa Capital.

 

Carlos Cerqueira, director de inovação do IPN, explica que o dia das apresentações é apenas um começo. “As pessoas não puxam do cheque na hora, isso acontece na televisão. Na vida real, o que acontece é o início de uma conversa” entre os projectos que o IPN vai, em parte dos casos, buscar “à saída dos departamentos da universidade” e os investidores.

 

Como o Instituto Pedro Nunes fica em Coimbra, faz sentido que vá procurar as ideais à universidade que está ali à porta. “O Ineo Start trabalha na fase da ideia. As pessoas tiveram uma ideia e estão a tentar perceber se o modelo de negócio tem viabilidade e se há aceitação pelo mercado”, esclarece Carlos Cerqueira, que acrescenta que o fio condutor dos projectos seleccionados é a inovação tecnológica.

 

Não há um critério rígido para a triagem das ideias que participam em cada edição do Ineo Start, mas todas são “embriões de empresas com base tecnológica forte”. De resto, as áreas variam, desde arqueologia às ciências da vida, das tecnologias da informação à economia do mar.

 

Paula Ferreira é membro da equipa do InEye, uma tecnologia de administração de vários fármacos em simultâneo, de forma controlada e prolongada. A investigadora do Departamento de Engenharia Química da Universidade de Coimbra explica que a ideia nasceu com a tese de doutoramento de um colega da equipa, que se desenvolveu e deu origem a um dispositivo que se coloca no interior da pálpebra inferior e que pode ser uma alternativa às gotas oftálmicas. Com a participação no programa de lançamento de start-ups do IPN, a equipa quer “transportar o InEye para fora do laboratório”.

 

É sobre a ligação da universidade ao tecido económico que fala o vice-presidente do IPN, Raimundo Mendes da Silva. Ao oitavo ano, a iniciativa da incubadora de empresas de Coimbra “já entrou em ritmo de cruzeiro” e o também docente universitário entende que “a sociedade, as empresas e a economia estão atentas e curiosas sobre quais são as ideias que estas pessoas trazem”. Mendes da Silva considera que “há uma cultura que se vai reforçando” de “transformar a investigação científica em valor acrescentado”.

 

De ideias a negócios

Paula Ferreira é dos poucos casos que repetem a participação no Ineo Start. Carlos Cerqueira explica que os projectos seleccionados não regressam noutra edição, mas podem acolher pessoas que já tenham integrado equipas em anos anteriores. A investigadora conta que o produto que tinha ajudado a desenvolver no ano passado, um spray que estanca as hemorragias, estava “muitos passos atrás” do projecto deste ano. O SuperAid (assim se chamava o spray) não chegou a “culminar na formação de uma empresa, nem num produto pronto a avançar”, mas Paula Ferreira assegura a experiência que ficou da participação anterior ajudou a montar o projecto deste ano.

 

Nem todas as ideias chegam à etapa de criação de empresa. A partir das 97 equipas que participaram no Ineo Start entre 2010 e 2016 foram criadas 55 empresas. Mas as que chegaram a avançar para o negócio têm uma taxa de sobrevivência de 89%, o que significa que 49 ainda estão em actividade.

 

André Dória quer fazer parte desse grupo. Começou com o curso de engenharia electrotécnica na UC, mas ao fim de um ano não se sentia realizado profissionalmente. O MBA em gestão em 2010 despertou-o para o tema da negociação e, depois de anos de experiência nessa área em mercados internacionais e em empresas como a Nokia e MKT na bagagem, voltou a Coimbra. Decidiu avançar com a Closedge, uma ferramenta de apoio ao desenho de estratégia de negociação de contractos.

 

Segundo Dória, o programa parte de uma conjugação automatizada de variáveis para “antecipar interesses e níveis mínimos de satisfação” e tornar as negociações “mais planeadas e eficientes”. No futuro, diz, o objectivo é “pôr os robots a negociar”, mas para isso precisa de 50 mil euros.

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