Emprego

Trabalhadores a recibos verdes aumentam 14,7%

Crescimento percentual mais expressivo ocorreu nos vínculos que o INE classifica como “outros tipos de contrato”, onde se incluem os contratos de prestações de serviços

Texto de Raquel Martins • 09/02/2017 - 13:37

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É certo que a criação de emprego em 2016 fez-se sobretudo à custa dos contratos sem termo (mais 77.900 trabalhadores entraram no mercado de trabalho por esta via), mas o crescimento percentual mais expressivo ocorreu nos vínculos que o INE classifica como “outros tipos de contrato”, onde se incluem os contratos de prestações de serviços, a que habitualmente se chama recibos verdes.

 

Entre Dezembro de 2015 e Dezembro de 2016, estes vínculos tiveram um crescimento de 14,7%, que se traduziu em mais 3800 pessoas nesta situação, superando largamente o crescimento de 2,8% dos contratos sem termo e de 0,4% da contratação a termo (categoria onde o INE incluiu o trabalho sazonal sem contrato escrito e as situações de trabalho pontuais ou ocasionais).

 

Este crescimento homólogo acima dos dois dígitos não é inédito – embora seja o mais expressivo – dado que já se tinha verificado nos dois trimestres precedentes (11,6% e 14,2%), interrompendo as descidas que estavam a ocorrer anteriormente.

 

Estes dados são revelados numa altura em que o Governo prepara um plano de combate à precariedade no Estado e promete lutar contra o problema também no privado. As estatísticas mostram que, embora cerca de 78% dos trabalhadores por conta de outrem tenham contratos sem termo, há uma percentagem significativa, que supera os 22% que têm contratos a termo ou que trabalham a recibos verdes, uma percentagem que várias instituições internacionais têm alertado que é demasiado elevada.

 

Emprego cresceu à boleia do turismo e licenciados

Em 2016, o mercado de trabalho deu sinais de melhorias significativas: a taxa de desemprego continuou a baixar, apresentando um resultado melhor do que o esperado pelo Governo, e o emprego aumentou, apesar da travagem na recta final do ano.

 

A economia portuguesa criou 82.100 empregos entre o último trimestre de 2015 e o de 2016, beneficiando sobretudo os trabalhadores que terminaram o ensino superior, as mulheres e as faixas etárias entre os 45 e os 64 anos e entre os 15 e os 24 anos. Os serviços foram o sector responsável pela criação do maior volume de postos de trabalho, principalmente o alojamento e a restauração.

 

Estas são algumas das conclusões que se podem retirar das estatísticas trimestrais do mercado de trabalho, divulgadas nesta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

 

No último trimestre de 2016, a população empregada era de 4.643.600 pessoas, o que significa que havia mais 82.100 empregados que no mesmo período de 2015. Esta evolução vem prolongar as variações homólogas positivas registadas desde o quarto trimestre de 2013 e mantém um ritmo de crescimento bastante elevado (de 1,8%).

 

O aumento do emprego foi particularmente visível entre os trabalhadores com mais qualificações, com destaque para os que completaram o ensino superior, que são agora mais 7,1% do que em 2015, ou seja mais 81.700 pessoas. Quem tem o secundário também encontrou lugar no mercado de trabalho. E apenas os trabalhadores que não foram além do terceiro ciclo do ensino básico viram as suas oportunidades de emprego encolherem, com a população empregada a recuar 1,5%.

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