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Crónica

Economia, aceitas casar comigo? Não!

Cada vez mais se vulgariza a crença de que os partidos apenas se preocupam com os seus interesses, deixando de parte os reais problemas dos espanhóis

Texto de João Malhadeiro • 24/10/2016 - 11:26

João Malhadeiro
João Malhadeiro é estudante de Ciências Farmacêuticas, nas quais o futebol é uma constante do quotidiano

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300 dias passaram. 300 dias que se previam duros, sem rumo, sem orientação e de completa indefinição. No entanto, a teoria nem sempre corresponde à prática e o que se verificou foi precisamente o contrário. A Espanha passou 300 dias sem Governo e a hecatombe que se previa não passou disso mesmo, previsões. Poucos espanhóis se preocuparam com este facto, visto que a economia espanhola apresentou o seu maior crescimento precisamente neste período.

 

As ruas das cidades espanholas contrastam bastante com a situação política de "nuestros hermanos". Cafés e restaurantes cheios, enchentes de turistas e uma população que reflecte um país próspero, vibrante e movimentado. E se nas ruas se vive uma aparente felicidade, os corredores do poder são o maior antagonismo desse sentimento.

 

20 de Dezembro e 26 de Junho resultaram em duas eleições inconclusivas, que deixaram o Partido Popular num governo provisório durante estes últimos nove meses. O partido ganhou ambas as eleições, mas em nenhuma delas conseguiu garantir a maioria absoluta.

 

No entanto, isto é apenas a quinta preocupação na agenda do povo espanhol. A real preocupação continua a ser a taxa de desemprego de 20%, bem como a corrupção e o desapontamento com a classe política que tem gerido o país ao longo destes anos. Cada vez mais se vulgariza a crença de que os partidos apenas se preocupam com os seus interesses, deixando de parte os reais problemas dos espanhóis.

 

O problema para os governantes? Neste momento, a economia espanhola é uma das que cresce mais rápido na Zona Euro. Prevê-se que cresça 3,1%, o mesmo valor que se previa quando o país tinha um Governo a exercer as suas funções em pleno.

 

No entanto, estes não são sintomas únicos, o divórcio entre economia e Governo mantém-se quando olhamos para outros casos. A Bélgica detém, actualmente, o recorde europeu de maior número de dias sem governação, foram 541 dias, 15 meses, um ano e 3 meses. Trágico? Muito pelo contrário. Neste período, a economia belga suplantou a de potências como a Alemanha, França, Holanda e até mesmo Suíça.

 

Mas nem tudo são boas notícias, começando já a aparecer algumas nuvens no horizonte. Os potenciais problemas poderão começar a aparecer em 2017, devido à falta de orçamentos, investimento público ou política fiscal. Estes factores ameaçam contribuir para um clima de incerteza que pode acentuar ainda mais o défice espanhol.

 

Os governos são de facto decisivos e preponderantes ou este aparente divórcio não passa de uma feliz coincidência? A questão é complexa, mas a realidade é que tanto os 300 como os 541 dias foram bastante mais positivos para espanhóis e belgas, respectivamente, do que os anos anteriores. Para além disto, a classe política continua a ver a sua actuação manchada por polémicas e por uma incapacidade de dar resposta aos problemas do dia-a-dia, o que contribui cada vez mais para que esteja desacreditada aos olhos da população. Resta então saber se o Governo e economia conseguirão “dar o nó” ou se é uma relação condenada ao divórcio?

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