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Qualquer pessoa pode candidatar-se a ser proprietário e arrendatário do Rés do C

Qualquer pessoa pode candidatar-se a ser proprietário e arrendatário do Rés do Chão

Os materiais de construção são doados por empresas que se aliam ao projecto

Os materiais de construção são doados por empresas que se aliam ao projecto

Rés do Chão

Rés do Chão

Arquitectura

Lisboa vai ter Rés do Chão velhos com cheiro a novo

Margarida, Mariana, Marta e Sara são as quatro arquitectas que se propuseram reabilitar os pisos térreos de espaços comerciais desocupados

Texto de Rita Salomé Esteves • 03/06/2014 - 13:25

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Há cerca de três meses que projecto Rés do Chão anda a reabilitar o número 119 da Rua do Poços Negros, uma antiga mercearia, sem uso há mais de dez anos que “apresentava sinais concretos de degradação”. A Freguesia da Misericórdia, em Lisboa, onde se encontra este espaço, tem, como outras zonas da cidade e do país, espaços comerciais desocupados e em ruínas a cada canto.

 

Sara Brandão, uma das fundadores do projecto, conta que a ideia surgiu quando as arquitectas se deram conta do enorme esvaziamento dos espaços comerciais térreos. “Segundo a União das Associações de Comércio e Serviços, em 2012 fecharam 13 estabelecimentos comerciais por dia na zona de Lisboa.” A ideia fundamental do projecto que arrecadou, em 2013, o 3º prémio da FAZ – Ideias de Origem Portuguesa, é a “criação de uma rede de pisos térreos ocupados e reabilitados [que] irá trazer mais pessoas à cidade, contribuindo para a economia local e iniciando um ciclo de recuperação dos edifícios degradados e do espaço público.”

 

No futuro, estes espaços devolutos vão dar origem a lojas pop-up, espaços de co-working, onde poderão ser desenvolvidos workshops e oficinas.

 

Foi num sistema de ocupação partilhado que as quatro arquitectas encontraram a solução para os espaços reabilitados. Segundo Sara, esta é “uma forma mais sustentável de arrendar um espaço comercial, permitindo várias pessoas que têm interesse em trabalhar, produzir e vender os seus produtos em espaços térreos, pagar uma renda mais económica.”

 

A equipa pretende combater a realidade de que a presente crise económica impossibilita muitas pessoas de “suportar o encargo de um arrendamento de longa duração”. É na rotatividade que assenta o sistema de arrendamento temporário dos espaços reabilitados o que, diz Sara Brandão, é vantajoso, tanto para o arrendatário, como para o proprietário. Para os arrendatários, este é um sistema que lhes permite “iniciar os seus projectos profissionais” sem ter grande risco de investimento. Enquanto, para os proprietários, é mais vantajoso “ter os espaços arrendados por apenas um ano ou mesmo seis meses” do que mantê-los desocupados, para além de que lhes permite explorar “os seus imóveis de formas menos convencionais”.

 

Actualmente, o projecto encontra-se numa fase inicial em que a equipa está a desenvolver “uma base de dados de proprietários de pisos térreos desocupados e estruturar uma rede de potenciais arrendatários destes espaços”, tendo em conta as características desses lugares, o género de negócio proposto pelos arrendatários e as características da própria área.

 

O projecto para o 119 da Rua do Poço dos Negros foi feito pela equipa da Rés-do-chão, mas há várias empresas envolvidas na reabilitação da antiga mercearia. Aliam-se ao projecto, doando materiais ou disponibilizando mão-de-obra qualificada. Ainda assim, “tendo em conta os conhecimentos da equipa do Rés-do-chão, na área de arquitectura e construção, esta participou de forma activa em muitos trabalhos de obra”, sublinha Sara Brandão.

 

O financiamento é, durante o projecto-piloto, feito pela Fundação Calouste Gulbenkian, no âmbito do concurso FAZ - Ideias de Origem Portuguesa. Contudo, a equipa pretende desenvolver um financiamento auto-sustentável, em que as receitas se vão gerir, não só, a partir da realização de actividades, como eventos e workshops, mas também a partir das margens de arrendamento e de “alternativas de sustentabilidade em estudo, que têm vindo a ser acompanhadas pelos economistas do Instituto de Empreendedorismo Social".

 

A longo prazo, a equipa quer migrar a outras zonas metropolitanas do país, tendo já sido contactada pela Câmara Municipal de Braga.

 

Texto editado por Luís Octávio Costa

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